Evanescence – Origin (2000)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Alternativo, Acústico, Eletrônica, New Age
Gravadora: Bigwig Enterpresis

Em 2003, o Evanescence lançou seu álbum de estréia em estúdio, o Fallen, vendendo quase 20 milhões de discos no mundo. Guiados pelos hits “Going Under”, “My Immortal” e principalmente “Bring Me To Life”, a banda liderada por Amy Lee conseguiu em 2003 se tornar uma das mais conhecidas no planeta. Mas antes disso, 3 anos antes (em 2000 mais precisamente), a banda vendia seu primeiro álbum (que não foi feito em estúdio), Origin. O disco é considerado por Amy Lee como uma coletânea das melhores gravações caseiras da banda, e não um álbum propriamente dito.

Esse disco vendeu 2500 unidades durante seus shows ao vivo e hoje é uma raridade encontrar o álbum à venda. Na internet, é possível compra-lo, mas com valores altíssimos e sem a garantia de se tratar do produto original, e não somente uma cópia. Na época em que a banda ficou famosa e a procura pelo trabalho aumentou, a própria Amy Lee aconselhou aos fãs baixarem o disco pela internet.

O Evanescence é definitivamente marcado pela vocalista Amy Lee. Foi sua voz de nível soprano que conseguiu tantos fãs pelo mundo. Desde sempre, o restante da banda sempre serviu mais para acompanhá-la do que qualquer outra coisa. O instrumental do Evanescence não impressiona mas é satisfatório. O que acabaram se destacando principalmente foram as partes de teclado/piano e de bateria. Soa como se Lee fosse artista solo, o que definitivamente não é algo ruim.

Nesse disco, a proposta é bem diferente do que os fãs da fase de sucesso da banda estão acostumados à ouvir. As músicas tem um ritmo menos acelerado, alguns pequenos corais durante as músicas, a voz de Amy soa um pouco mais obscura aqui. Mas uma coisa indispensável de destacar são as partes eletrônicas no disco. Não, não espere nada de Satisfaction para poder sair dançando por ai. São toques que aparecem na maioria das músicas que criam uma atmosfera única. Os acordes de algumas músicas também deixam um clima um pouco acústico.

Uma coisa que é inegável é sua profundidade. Talvez Lee sempre jogar suas emoções em sua música tenham causado isso, ainda com o apoio de Ben Moody, que segue a mesma linha de direção musical da vocalista. As letras podem mexer com as pessoas mais emotivas ou que passam por algum momento difícil. Apesar de não ser músicas boas para serem escutadas por pessoas assim, são elas que fazem boa parte dos fãs. Nessa época em que o guitarrista Ben Moody ainda estava banda, há algumas influências religiosas nas músicas, nada muito significativa, mas estão lá.

A primeira faixa é a que dá título ao disco, “Origin”. Ela é apenas um introdução com alguns barulhos que criam uma boa atmosfera para a segunda música, “Whisper”. Essa versão é diferente da do Fallen em certos aspectos. O uso eletrônico dá um clima mais sombrio para a voz de Amy, como para a música também. Aqui a música é mais lenta que a versão do Fallen e bateria tem mais destaque (coisa normal em gravações caseiras). A música é boa, tem um refrão legal e tem um belo solo (coisa que não é normal de se ver no Evanescence). A terceira faixa é tocada nos shows ao vivo até hoje, “Imaginary”. Ela começa com o piano e a voz tranquila de Lee, até que a banda entra dando certo peso a música. Aqui, Lee eleva sua voz em vários momentos. Destaque para o pequeno coral durante o solo. Mais uma boa música, que acabou ficando mais dinâmica no Fallen.

Toda banda que se preze que tenha algum sucesso, tem 2 ou 3 músicas que sempre são pedidas e são a cara da banda. Posso citar alguns exemplos como “Enter Sandman”, “Master Of Puppets” e “One” do Metallica, “Welcome To The Jungle”, “November Rain” e “Sweet Child O Mine” do Guns N Roses e “The Number Of The Beast”, “2 Minutes To Midnight” e “The Trooper” do Iron Maiden. São músicas que marcam e provavelmente serão as únicas conhecidas de quem não é fã de tal banda. No caso do Evanescence, uma dessas músicas é a quarta faixa, “My Immortal”. Nessa versão, utilizam apenas do piano em toda a música. Apesar de ser considerada demasiadamente “manjada” após tanto esses anos, é inegável a beleza da faixa. Essa versão somente com o piano deixa essa balada mais bela ainda.

A quinta faixa é “Where Will You Go?”, uma das melhores do disco, que poderia ter entrado no Fallen. Aqui os tais toques eletrônicos estão disfarçadamente em toda a música. Os backing vocals de David Hodges consegue ajudar a passar ainda melhor a música. O refrão é muito pegajoso, apesar de não parecer ser proposital. A mistura bateria/guitarra/piano é muito bem executada aqui. A sexta faixa é outra que está entre as melhores do disco, “Fields Of Innocence”. Os acordes aqui são excentes e muito atrativos, assim como a voz de Lee. Talvez seja aqui que a voz da bela vocalista mais soe atrativa. Mais uma vez, os pequenos corais elevam a música. Excelente faixa.

A sétima faixa é “Even In Death”. Apesar de não ser tão boa se comparada com as anteriores, continua sendo uma boa música. De todo disco, é a segunda com mais presença de elementos eletrônicos que aparecem constatemente em toda a música. A faixa não é muito atrativa na primeira audição, mas conforme vai escutando-a, isso muda. Isso é basicamente o Evanescence nesse álbum, muito menos atrativo comercialmente, mas mantendo qualidade e pode ficar até viciante após um certo tempo.

A oitava faixa é “Anywhere”, que sem dúvidas também é uma das melhores do disco. Ela começa calma e vai crescendo cada vez mais, até chegar no refrão, que vicia. Isso vai se repetindo pela música várias vezes, é uma bela música. A bateria ajuda na climatização da música e Hodges vai muito bem nos backing vocals. A próxima é a mais “pesada” do disco, a nona faixa, “Lies”. A música começa com Amy elevando sua voz até a bateria começar, os outros intrumentos entram mas a bateria é que continua com mais destaque. A presença de Bruce Fitzhugh, vocalista mais conhecido do Living Sacrifice, é muito mais sentida aqui com o peso que trás com seus urros (e faz isso muito bem). Mais outra música muito boa.

A décima faixa é “Away From Me”. Mais uma vez, o início tem toques eletrônicos. Nessa música, Amy Lee consegue cativar ainda mais. A voz dela é simplesmente incrível e muito natural. É mais uma música cativante, e sem dúvidas o destaque aqui é a vocalista, mais que o normal. A última faixa (décima primeira) é a instrumental “Eternal”. O único motivo de “Even In Death” não ser a música com mais toques eletrônicos é ela. Na primeira parte da música, não tem nada que se destaque, pois a banda mistura bem vários elementos para criar algo audivelmente agradável. A segunda parte começa com uma chuva por algum tempo, alguns acordes, e vem uma bela parte que mistura o piano com o som da chuva. Na terceira parte, um clima mais sombrio pra fechar com chave de ouro o disco.

A qualidade desse álbum é incontestável. O grupo conseguiu colocar muita coisa eletrônica e sair com um resultado excelente. A primeira demo da banda tem uma proposta de músicas mais bonitas do que em seus sucessores de estúdio, mas de mesma qualidade. Sem duvida Amy Lee é uma das melhores vocalistas que o mundo já viu. Se você é fã de metal e não consegue ouvir mulher cantando sem ser algo como o Arch Enemy, não é esse disco que mudará algo. Mas pra quem é fã da bandas como o Nightwish e Within Temptation, ou que simplesmente quer ouvir boas músicas bonitas, podem dar uma chance ao disco. O importante é escutar sem preconceitos e desfrutar.

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