Crippled Black Phoenix – (Mankind) The Crafty Ape (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Rock, Rock Progressivo, Pós-Prog, Rock Espacial, Ambiente
Gravadora: Mascot Label-Group

O Crippled Black Phoenix é sem dúvida uma das maiores revelações da última década, liderado por Justin Greaves (que já fez parte de bandas como Borknagar, Electric Wizard e Iron Monkey, sendo um dos fundadores dessa última). O CBP não é uma banda comum, mas sim uma espécie de projeto itinerante que teve início em um encontro descompromissado de Justin e Dominic Atchkinson, do Mogwai. Ao todo, foram mais de 25 membros que gravaram com a banda (fora os músicos de turnê), isso de certa forma contribui para que a musicalidade da banda mude com o passar do tempo.

“(Mankind) The Craty Ape” é uma espécie de desafio á capacidade da banda, já que eles provaram não ser um simples “Desert Sessions pseudo-cult”, pegando como exemplo  “I, Vigilante”, LP lançado em 2010 e que pode facilmente encabeçar uma lista de melhores discos da década até então. Esse é o 4° trabalho do supergrupo e é um álbum duplo, geralmente bem comum pro gênero. Justamente nesse ponto o projeto se destaca, pois embora tenha suas raízes no Post/Prog, viaja por uma infinidade de gêneros, indo desde o Stoner Rock até o Jazz.

“Nothing (We Are…)” abre o disco de maneira bem peculiar, uma introdução de pouco mais de um minuto com um ruído e um discurso que parece ter saído de algum lugar da década de 1950, essa que emenda a ótima “The Heart of Every Country”, que é um dos destaques do disco, remetendo vagamente á era Pink Floyd “pré-Dark Side of the Moon”. Nessa mesma pegada, o disco procede até “In the Yonder Marsh”, faixa de 4 minutos que consiste em ruídos. Por mais que as idéias de “ambient” e “música experimental” procedam aqui, essas faixas curtas são fillers espalhados ao longo dos dois discos, divididos entre seus três atos.

Entre “A Letter Concerning Dogheads” e “Release the Clowns”, o disco realmente chama a atenção e prende o ouvinte. Da faixa 5 até a faixa 9, respectivamente, podemos notar influências de Blues, Sludge e até um Rock Alternativo com caráter pop, todos conduzidos pelos excelentes vocais. “(What)” vem para fechar o primeiro CD, nada mais que uma pequena faixa com cara de música tradicional italiana. O segundo CD se inicia com “A Suggestion (Not a Very Nice One)”, onde a ótima voz de Justin se destaca novamente (este canta boa parte do disco, dividindo os vocais com Miriam Wolf) .

O segundo disco é uma verdadeira viagem. Embora aqueles fillers apareçam aqui (inclusive, inseridos dentro de outras faixas), eles até que fazem um pouco de sentido, uma vez que essa sequência de canções parece ter sido concebida para ser escutada continuamente, se possível deitado na cama durante um dia chuvoso. Os arranjos são incríveis e isso é perceptível em “Operation Mincemeat”, talvez a melhor faixa do disco. Fato é que, usar aproximadamente 80 minutos para escutar esse trabalho por inteiro é um tempo muito bem aproveitado e que fará o disco soar melhor.

The Crafty Ape tem sim seus defeitos, mas seria de extremo mau gosto falar que esses ofuscam a beleza do disco. Compará-lo com “I, Vigilante” é uma maldade (aliás, comparar qualquer disco com o citado é algo de má fé), mas o LP dá conta do recado e consolida o trabalho do projeto. Mais um ótimo disco desse ano de 2012.

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