Underoath – Define The Great Line (2006)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Cristão, Pós-Hardcore, Pós-Metal, Ambiente Eletrônico
Gravadoras: Tooth & Nail, EMI

Apenas dizer os gêneros “Metalcore” e “Metal Cristão” já afastam muitas pessoas de ouvirem tais músicas, seja qual for motivo. Acrescentando momentos de música eletrônica e esse grupo fica ainda menor. Pelo menos se fosse vermos apenas por gênero, este seria o caso de diversas bandas que não recebem devida divulgação, mas este não é o caso de Define The Great Line, da banda de de Tampa, Flórida, Underoath. Sucedendo They’re Only Chasing Safety de 2004, que seguia uma linhagem mais melódica e grudenta, o álbum de 2006 mostra um peso maior, de uma banda de Metalcore, mas também sendo um disco envolvido por mais características “dark”, ou seja, mais depressivo, mais melancólico, dramático, e por aí vai com os adjetivos. E com a combinação deste três gêneros – e ainda incluindo os elementos “Pós” -, é possível encontrarmos além de qualidade nas canções do grupo, mas também estabilidade e consistência? É credível que sim.

Vamos falar da parte eletrônica de uma vez, por ser a mais fácil. As partes eletrônicas estão em apenas de algumas músicas e a duração de suas passagens são curtíssimas, com exceção da faixa “Sālmarnir”, que é totalmente Ambiente Eletrônica e não é genérica, criando uma atmosfera diferente e calma em um disco onde todas as faixas restantes são gritadas, lembrando artistas como Sigur Rós. Em outras palavras, o uso da música eletrônica não chega a incomodar a quem quer ouvir uma música pesada, mas são desnecessárias e tiram a atmosfera que a banda quer passar. O pior do uso da eletrônica, é que ela é bastante comum – com exceção da já citada quinta faixa -, e se tivesse mais espaço e tempo, seria algo vindo do Asking Alexandria ou outro grupo de Metalcore com pegada eletrônica. O elemento eletrônico é o ponto mais fraco do disco, sem dúvida nenhuma.

Já o discurso religioso, um grande motivo para muitas pessoas não se aproximarem do gênero, não é algo escancarado como alguns artistas cristãos fazem. Claro, os caras mencionam Deus e o glorificam, principalmente em “Sālmarnir” (que por acaso é narrada em sua metade final em latim ou alguma língua próxima), o que é normal e esperado vindo algo do gênero. Mas as letras não são tão simples. Boa parte delas procuram uma resposta, ou demandam que a pessoa que está ouvindo-o “acorde” e faça algo – demonstrado na faixa de abertura, “In Regards To Myself” -, ou até temas como solidão, medo e desespero. Um fato curioso é que nenhuma das músicas do disco contém o nome que dá a faixa na letra. Não faço ideia do porque, mas não faz diferença nenhuma. Mas aqui não é o ponto forte de Define The Great Line, mas sim as músicas em si.

Algumas dessas canções mostram o peso já no início e jogam na sua cara, como a canção de início do disco, sendo este elemento o que mais prevalece nas 11 canções. Certas faixas como “A Moment Suspended In Time”, “Moving For The Sake Of Motion” e “Writing On The Walls” soam típicas músicas de Metalcore ou de Pós-Hardcore, com seus já esperados breakdowns comuns, onde a música fica pesada, como se quisessem mudar toda a atmosfera e tentassem soar intimidantes. Entretanto na já citada “Writing On The Walls”, tem um breakdown interessante perto do fim, onde chega a ser Doom Metal, mas é por pouco tempo. Os vocais do grupo, Spencer Chamberlain (guturais) e do baterista Aaron Gillespie (limpos) são do tipo “hit-or-miss”, ou seja, eles vão te acertar em cheio ou você não irá gostar. Os de Spencer em boa parte do tempo são aceitáveis, alguns momentos soando excelente nos vocais, já os do baterista são um pouco irritantes, mas as vezes ele consegue ser aceitável.

Faixas como “Returning Empty Handed”, a faixa de encerramento “To Whom It May Concern” e a melhor canção do disco, “Casting Such A Thin Shadow” (é tão boa que colocaria em uma lista de 100 melhores músicas que eu já ouvi em minha vida), junto com “Sālmarnir”, mostram um grupo tentando mudar, não fazer as mesmas fórmulas, mas ainda sim manter uma consistência e lógica no álbum, diferente de grupos como Muse e Fresno (ambas em seus discos mais recentes), que querem variar, mas acabam variando demais ao ponto de suas músicas não fazerem sentido juntas. É experimentar, mas experimentar com razão, e não para exibir ecleticismo e talento. Outro detalhe é a banda compor canções de durações mais longas, como “To Whom It May Concern”, de 7 minutos e “Casting Such A Thin Shadow”, acima da marca dos 6 minutos, onde o vocalista só começa a cantar a partir dos 4 minutos (!).

É inegável que, mesmo com suas falhas, Define The Great Line foi um disco de mudança do grupo americano, mostrando uma banda mais versátil que no álbum anterior, e voltando até um pouco a sonoridade do seu início de carreira. O grupo teve controle e noção do que queria fazer e experimentaram novas e interessantes ideias e conseguiram criar algumas boas canções, que valem a pena serem conferidas. Mas mesmo assim, a banda não foge do problema do Metalcore: genérico (em algumas faixas). Os fãs do gênero certamente devem dar uma chance para o disco, assim como os mais versáteis dos ouvintes do Metal. Não é um disco que vai agradar a todos e precisa de algumas audições e ignorações para se acostumar com a sonoridade do disco, entretanto, pelo pacote completo, Define The Great Line vale a audição, do início ao fim.

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