Kill Devil Hill – Kill Devil Hill (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadora: PSV

O Kill Devil Hill chamou atençou quando se formou ano passado principalmente por ser a nova banda de Vinny Appice (ex-Black Sabbath, Heaven & Hell e Dio) e Rex Brown (ex-Pantera e Down), com os membros afirmando que se tratava mesmo de uma banda, e não apenas um projeto paralelo. O som da banda é bem moderno, e mistura o Heavy Metal com o Doom Metal, como se fosse uma mistura de Alice In Chains e o Black Sabbath da era do Tony Martin. Principal membro da banda, Vinny mostra que apesar de não mostrar nada muito inovador, quando ele está numa banda, a bateria vai estar garantido com alto nível. O mesmo pode se dizer de Rex Brown, que faz riffs intensos, muito mais do que esperava. Mark Zavon se mostrou excelente na hora de criar os riffs, eles são excelentes e criativos, mas decepciona bastante na hora dos solos (lembrando o Kirk Hammett ao vivo). A maior surpresa pra mim é Dewey Bragg, que tem uma voz intensa e muito diversificada. Com sua atuação aqui, entrou na minha lista de vocalistas para se acompanhar hoje em dia.

A primeira faixa é “War Machine”, que contém riffs excelentes, um ótimo desempenho vocal de Dewey Bragg e Vinny Appice mostra seu alto nível na bateria logo no início. Uma faixa empolgante para abrir o disco. A seguinte é Hangman, que é um pouco mais cadenciada, e soando muito como uma versão mais pesada do Alice In Chains. É uma faixa onde tudo se encaixa muito bem, dando continuidade ao alto nível da primeira música. Voodoo Doll tem tudo muito bem dosado, todos fazem seu trabalho de forma competente mas não impressionam muito, sendo apenas uma boa faixa. “Gates Of Hell” volta de modo mais intenso para o lado cadenciado da banda, levando mais para o Doom Metal. Os riffs aqui são simples, mas sedutores. O solo dela começa chato mas vai melhorando, satisfazendo o ouvinte. “Rise From The Shadows” tem uma pegada que lembra muito o projeto solo de Tony Iommi com Glenn Hughes, só que um pouco mais sombrio. Rex Brown simplesmente detona nessa faixa. A interpretação de Bragg surpreende, pois ele sabe dosar sua voz de forma magnífica.

“We’re All Gonna Die” soa mais acessível e seria uma ótima escolha para single com “War Machine”, pois tem riffs e vocais atrativos, por mais arrastados que sejam. “Strange” começa com intensos riffs, com Rex e Mark fazendo a música melhorar muito, mas ainda assim não aparece acompanhar o nível do álbum. O solo é bem chatinho. “Time & Time Again” segue a estrutura básica das faixas anteriores, cadenciada, mas também não tem nada muito especial. “Old Man” tem uma pegada mais empolgante, com riffs que já valem a música, dessa vez tendo um solo bem legal. Bragg grunhe de forma estranha às vezes, alguns irão gostar, outros não. “Mysterious Ways” vai mais pro lado do Southern Rock, sendo uma inesperada e agradável balada. Dewey mostra o tão diversificado ele pode ser. “Up In Flames” é uma semi-balada, agora voltando à pegada Doom, mas vai além dos clichês das baladas e fizeram uma das melhores faixas do disco, com muito “feeling”. “Revenge” não era a faixa adequada para finalizar o disco, pois não tem nada assim de especial que te faça ter uma opinião melhor do disco por causa dela. Ainda assim é uma boa faixa com Appice inspirado e um ótimo solo, mas o final da música parece especialmente feita para o fim do álbum, e bem mal feita.

Eu não esperava tanto do disco por não ter expectativa por não conhecer Dewey e Mark, mas os dois me surpreenderam. Somando os trabalhos competentes como sempre mas nada muito inovador de Appice e Brown, o disco de estréia da banda é bem agradável apesar das várias quedas durante o disco.

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Murder Construct – Results (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Grindcore, Death Metal
Gravadora: Relapse Records

Se você achou que Suicide Silence era pesado, espera para escutar “Results”, o disco de estréia da banda oriunda de Los Angeles, Califórnia. Vamos falar sobre o disco que talvez seja o mais pesado do ano ou dos últimos anos. Murder Construct é um supergrupo de Grindcore e Death Metal formado por músicos que já vinham de bandas desse gênero ou de gêneros bem experimentais, como o baterista Danny Walker, que também toca na banda Intronaut, uma banda experimental de Pós-Metal Progressivo. E não tem muita coisa para se dizer sobre ele. Ou você irá gostar da primeira faixa até a última faixa, adorando seu peso, os guturais insanos e a velocidade absurda, ou não irá passar dos 30 segundos de “Red All Over”, música que abre o disco.

Antes de mais nada, Murder Construct é composto por excelentes músicos. Há muitos momentos no disco que você se impressiona com a habilidade técnica destes integrantes. Mas as músicas são boas? Isso vai depender de seu gosto. Se você gosta de MPB mas odeia Metal, isso vai passar alguns anos-luz por você. Se você gosta de Iron Maiden e do Heavy Metal clássico, “Results” será um disco que não vai te agradar. Se você gosta de Suicide Silence e algumas bandas que tocam tão pesado ou até mais que o grupo citado, talvez você goste, mas você certamente vai sofrer. São 29 minutos divididos em 11 faixas de pura porrada com pouquíssimas pausas, e quando tem são curtíssimas.

“Results” é um ótimo disco de estréia para a banda. Extremo, brutal e feroz do início ao fim. Ou pelo menos quase ao fim. A canção final, “Resultados” (é assim mesmo o nome da música, e não “Results”, como alguns devem pensar assim que lerem o nome da faixa) encerra de maneira estranha e solta pelo disco, pois não temos um momento próximo ou parecido em lugar nenhum do álbum, mas é certamente um dos melhores e até bonito, mostrando que seus músicos não são apenas headbangers comuns. Em resumo, posso dizer que “Results” é um dos meus candidatos a disco do ano e que vale muito a pena dar uma conferida nesta banda e em seu material, assim como no EP de 2010 auto-intitulado. Ambos lançamentos muito bons e consistentes no querem passar para o ouvinte. Mas não espere algo fácil nas primeiras audições. Esta banda requer audições extras para pegar sua magia.