Fresno – Revanche (2010)

Origem: Brasil
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Universal Music

Eu não pretendia fazer este texto. Eu iria deixar esse disco passar por mim. Talvez no futuro eu opinasse sobre Revanche, o quinto disco de estúdio deste grupo gaúcho conhecido como Fresno, mas não consigo esperar mais. Eu tenho que escrever o que eu penso sobre o disco. O motivo é que para os fãs do grupo, Revanche é um bom disco, e de acordo com eles, a banda voltava a lançar um bom disco, como lançou em 2006 com Ciano (que seria o melhor que eles já lançaram), pois quando a banda lançou Redenção em 2008, com uma pegada bem eletrônica e pop, a banda estava se vendendo ao seu produtor, Rick Bonadio, e fazendo música comercial e ruim. Eu discordo plenamente disto. O que faz de Revanche um disco ruim em minha opinião é o quão solto e espelhado ele é. Não entendeu? Eu explico melhor.

A banda de Lucas Silveira, Gustavo Mantovani (Vavo), Rodrigo Tavares e Rodrigo Ruschell (Bell) queriam ser uma banda de Rock, diferente daquilo que foi em Redenção. O produtor do grupo na época, Rick Bonadio, não aprovou a ideia, e tentou equilibrar as coisas para que continuasse comercial e acessível. O problema que isto gerou é o quão diversificado esse álbum é. Mas não me entenda mal. Assim como Lucas, eu gosto de um disco que seja diversificado, mas quando essa diversificação há uma conexão, algo que faça parecer que aquelas canções tão distintas tenham uma relação, algo que aconteceu no disco de estréia do supergrupo norte-americano, Flying Colors. Em Revanche você tem faixas que com uma pegada Hard Rock e outras que beiram nas terras do Restart (!), de tão absurdo que isto é. E por mais ruim que Redenção seja na cabeça dos fãs, nele você percebe uma ligação entre os elementos e ideias propostas, algo que falta em Revanche.

A faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e “A Minha História Não Acaba Aqui” são as faixas mais pesadas do álbum. Ou melhor dizendo, são as faixas pesadas do álbum. O restante, ou são músicas baladas extremamente lentas, que aparentam chegar a lugar nenhum, ou músicas que o grupo britânico liderado por Chris Martin, Coldplay, tocaria em um de seus discos mais depressivos, ou um Pop Rock que soa totalmente deslocado e sem nexo. E algumas dessas músicas soam como fillers, preenchedoras de espaço. Canções fracas que não sabe porque diabos fazem parte do álbum, como “Não Leve a Mal”, “Esteja Aqui”, “Se Você Voltar” e a já citada “A Minha História Não Acaba Aqui”. O que piora para o disco são os terríveis timbres de teclado. Infelizmente, Mario Camelo não fazia parte da banda nesta época, e as vezes temos atrocidades horríveis que deixaria até o “roqueiro cristão” Neal Morse assustado. E não podemos esquecer do encerramento do disco, uma balada intitulada “Canção da Noite (Todo Mundo Precisa de Alguém)” que tem a coragem de ter um refrão um plagiamento de “Amo Você” do Barney. Sim, aquele dinossauro roxo! Não acredita? Ouça as duas e compare as duas. E mesmo se o meu humor não for bom o plágio não existir, é um fim fraco se compararmos com o hino da banda, “Milonga”, também do Redenção.

Apesar dos pesares, a banda lança boas canções, como a faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e na excelente balada “Porto Alegre”. Mas mesmo nos melhores momentos, a banda consegue deixar “menos melhor”, com os ataques horripilantes de teclado e alguns versos que conseguem matar ereções de cavalos, de tão ruim que são. Exemplo disso é em “Die Lüge”: “Mas olha só pra você, ficou horrível sem mim! / Achou que ia arrasar… mais de mil caras afim… / Mas qualquer um pode ver /Que você é de mentira (Que só eu mesmo acreditei)”. São estes versos raivosos e adolescente que mancham uma boa faixa, que além de possuir um refrão explosivo, possui uma introdução que caso fosse mais lenta, acabaria soando algo vindo de Steven Wilson e/ou do Porcupine Tree (qualquer coisa que me lembre de Steven e/ou do Porcupine Tree em relação a música é um grande elogio).

É. Revanche é um disco que mesmo tendo seus prós, são os contras que pesam mais. Os refrões explosivos, o trabalho de guitarra da dupla Lucas e Vavo, a cozinha consistente de Tavares e Bell, no fim das contas não conseguem esconder os pontos fracos do quinto disco de estúdio do grupo gaúcho, que possui muitas falhas e uma tremenda falta de nexo, que faz parecer aquelas compilações caseiras, onde misturam Slipknot, Luan Santana e Adele em um mesmo disco. Por mais que eu admire a banda em certos aspectos, é inegável que Revanche não chega perto do que estes caras podem alcançar, e a prova disso está no lançamento que segue Revanche, o EP Cemitério das Boas Intenções. Com apenas quatro faixas, a banda se manteve mais consistente e com uma ligação entre as faixas que Revanche nunca chegou perto de ter. Se você quiser conferir algo da banda e dar uma chance, ouça Cemitério das Boas Intenções. As intenções, tanto minhas como do grupo, são as melhores.

4 pensamentos sobre “Fresno – Revanche (2010)

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