Baroness – Yellow & Green (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Sludge Metal, Indie Rock, Rock Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Relapse Records

Começo essa resenha ressaltando que, sim, você não leu os gêneros de forma errada e eu não errei enquanto os escrevia.

“Qual a diferença entre um artista de metal quando comparado a um artista de outro gênero?” (Além do estilo que a banda toca, óbviamente). Minha resposta é a seguinte: Uma banda de outro gênero pode passear tranquilamente por sub-gêneros próximos sem que a maior parte de seus ouvintes coloque fogo em tudo relacionado aquela banda e declare ódio público.

Por incrível que pareça, isso não aconteceu com o Baroness. Talvez pelo fato de não serem tão conhecidos ou pelos apreciadores do cenário Sludge terem a mente um pouco mais aberta. Felizmente, o quarteto já experiente e proveniente de Savannah, GA (berço da cena contemporânea do estilo) conseguiu fazer isso ao longo de sua carreira com maestria. As mudanças foram acontecendo aos poucos, mas de “First”- EP ainda cru de 2004 – ao excelente “Blue Record” de 2009 existe uma mudança radical, desde os vocais do gênio John Baizley até a as letras.

Em “Yellow & Green”, o grupo foi além. Eles se mantiveram no nicho sludge mas acabaram gerando uma discussão sobre um possível novo ”sub-sub-gênero” denominado “melodic sludge metal”. O disco possui melodias mais cadenciadas e concretas, tornando a técnica dos músicos ainda mais visível. Resumindo, isso caiu como uma luva para a banda, lembrando muito o que aconteceu com o Kylesa em “Spiral Shadow” de 2010.

Muitos “headbangers” torceram o nariz pela falta de músicas parecidas com as encontradas em material antigo. Talvez “Take My Bones Away” ou March to the Sea”, ambas do Disco 1 (sim, é um album duplo). Mas o álbum NÃO possui sequer uma música que possa ser chamada de ruim. Cada música possui sua identidade, não temos fillers, enquadrando nisso inclusive as faixas instrumentais curtas que abrem os 2 CD’s, o que já é de praxe nos full-lenghts da banda.

O disco possui “baladas”, o que é incomum pro sludge e acaba aproximando o estilo da banda pro prog  – no CD 2 (Green) beiram o Indie Rock – Mas as guitarras ainda estão lá, a bateria seca também e produção segue a linha dos dois registros anteriores: áudio bom, porém nada de músicas polidas e recheadas de overdubs e auto-tune. O resultado de tudo isso não pode ser outro, senão o melhor álbum da carreira dessa brilhante banda.

3 pensamentos sobre “Baroness – Yellow & Green (2012)

  1. Concordo com você que este é o melhor disco do Baroness. Ele foi diferente do que eu esperava e até superou minhas expectativas em alguns pontos. Mas em outros pontos eu achei fraco e abaixo do nível. Algumas canções poderiam ser retrabalhadas ou até tiradas de fora para que formassem apenas um único disco. Por isso eu não daria uma nota máxima a Yellow & Green, mas é certo que está nos meus candidatos a disco do ano.

    Sobre sua resenha, eu considero a sua melhor desde que você começou a escrever aqui. Parabéns!

    • Na minha opinião, o disco mereceu a nota tanto pelo seu conteúdo musical, quanto pelo contexto. O Baroness meio que “limpou” o que estragava os trabalhos anteriores (por exemplo, Steel That Sleeps The Eye, do Blue Record, que nada mais é que uma intro longa e inútil, logo, um filler). Eles estão bem mais maduros em relação ao início da carreira e eu não encontrei uma música que pudesse ser descartada nos discos (óbviamente sempre existirão umas que se destacam e outras mais apagadas, mas nesse caso, nenhuma “desce o nível” do disco). E valeu.

      • Eu adorei o Yellow & Green, tem músicas que gosto menos e outras que gosto mais, mas não mexeria em nada nele. E na minha opinião, a idéia dos discos não seria a mesma, não teria a mesma pegada se fosse um único disco, deixo do jeito que tá!
        E sobre Steel That Sleeps The Eye, é uma bela introdução para Swollen and Halo. Sem Steel That Sleeps The Eye, Swollen and Halo não seria tão empolgante e até épica.
        E concordo com o Senna sobre a tua resenha, muito boa!

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