Suicide Silence – The Black Crown (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Deathcore
Gravadora: Century Media

Nem sempre uma banda que tem como costume lançar músicas extremas aparece por aqui. E quando eu digo “extrema”, não é ao nível “Slipknot” que alguns tendem a pensar quando falam em música extrema. É um pouco mais além e menos comercial, sendo mais difícil de assimilar tal sonoridade. Suicide Silence é uma banda norte-americana de Deathcore, que é uma mistura entre Metalcore e Death Metal, e tem como influências bandas como Meshuggah, Sepultura, Cannibal Corpse, Suffocation, Necrophagist, Nile, Deftones, Korn e do já citado Slipknot. Com esta descrição você pode não se interessar por esta banda, mas se você for alguém valente (ou burro) e estiver realmente interessado, seja bem vindo, soldado. Você irá testemunhar um jovem grupo de músicos com uma vontade gigantesca para expor suas raivas e exaltar palavrões sem necessidade alguma.

Em The Black Crown, terceiro disco de estúdio, a banda era composta pelo letrista e vocalista Mitch Lucker (que, segundo os fãs, tem a capacidade de fazer seus guturais e gritos parecidos com um pato, um “ducksqueal” se você me permite dizer), guitarristas Chris Garza e Mark Heylmun, baterista Alex Lopez e baixista Dan Kenny. E por mais pesado que o som seja e os vocais sejam algumas vezes incompreendidos, é incrível como algumas destas canções consigam ser grudentas (catchy). Sim, uma banda de Deathcore consegue lançar músicas grudentas. A prova disso são as duas músicas que iniciam o trabalho, “Slave to Substance” e “O.C.D.”, que por acaso são as duas melhores músicas de The Black Crown. Para ser honesto, são apenas os refrões e outros trechos próximos, mas temos que dar um mínimo de crédito da banda por isso. Outros momentos podem ficar na sua cabeça, mas não são tão bons quanto as duas, como “Fuck Everything”, que é aonde você percebe a “natureza raivosa e adolescente” da banda.

E a prova de que a banda tem tendência adolescente é “You Only Live Once”, provavelmente a pior música do disco. Eu já sou contra a ideia de “YOLO” por ela encorajar a pessoa a fazer merda com mais frequência, pois “só viverá uma vez” (como se soubessem o que acontece depois da morte), mas a música consegue ser tão cansativa e nojenta que só piora a situação. Com exceção de um ótimo solo de guitarra (que talvez seja o melhor de The Black Crown, que por acaso tem bons solos guitarras espalhados pelo álbum), a música é totalmente dispensável, assim como a esquecível “Human Violence”, que é possível esquece-la poucos segundos depois de ouvi-la. Outra faixa dispensável é “Smashed”, com participação especial Frank Mullen, da banda de Death Metal Suffocation, onde seus vocais guturais são apenas mais grossos que os de Mitch Lucker. Mitch conseguiria fazer eles sem problema algum. Mas além dos vocais inutilmente especiais, a música soa cansativa pelo excesso de peso descontrolado até chegar a faixa. Não temos momentos que possam balancear a porradaria, e por mais que o disco não passe de 40 minutos, você cansa de tanta necessidade de parecer “badass”, “cruel”, por mais que essa seja a intenção e proposta da banda.

Entretanto temos momentos que quebram essa porradaria repetitiva, como em “Witness the Addiction”, que em si é uma música longa demais (5 minutos e meio) e desnecessária ter esse tamanho. Mas o refrão é um dos melhores momentos do disco. Por quê? Ele é cantado por Jonathan Davis, do Korn, e, sinceramente, em The Black Crown ele simplesmente se destacou. Sua voz limpa soou como uma benção. Foi algo diferente e bem feito. Outros vocais especiais foram da vocalista da banda de Metalcore Eyes Set to Kill, Alexia Rodriguez. Sua voz feminina em “Cross-Eyed Catastrophe” soaram tão lindos que poderiam estar em todo disco que faria milhares de vezes melhor. Mas Alexia para em “Cross-Eyed Catastrophe”, infelizmente. E mesmo sem vocais especias, temos “March To The Black Crown”, uma música com uma atmosfera bem densa, envolvente e até “creppy” (desculpe pelos termos em Inglês, mas eles não soam tão bons em Português). E as guitarras à la Pantera em “The Only Thing That Sets Us Apart” são bem encantadoras, mas não duram o quanto realmente merecem. E o encerramento fica com “Cancerous Skies”, que, mesmo começando como a intro mais porrada do álbum, é um fim ok para The Black Crown, com exceção do solo de guitarra, que poderia ser mais extendido. Mais poderia ser esperado.

O que pode concluir com The Black Crown? É um disco consistente na porrada e que sabe o quer passar, e que consegue passar sua ideia, mas pode soar repetitivo e cansativo com seu decorrer, além de algumas canções fracas, ruins, momentos chatos, e algumas ideias não tão atrativas e adolescentes que afastam alguém que procura um som extremamente pesado, porém adulto. Mas, por incrível que pareça, vale a pena conferir The Black Crown. Quando a banda acerta, consegue lançar boas “pérolas metaleiras”, que podem ser até grudentas e memoráveis. Certamente é um disco feito por uma banda que ou você amará, ou você odiará. Eu recomendo The Black Crown para os fãs do Metal mais tradicional ao mais moderno e extremista, mas somente a este grupo. Um fã de Jazz ou Pop dificilmente irá querer ouvir Suicide Silence (se ouvir, certamente parará no início do disco). Veja pelo lado positivo: isso não se parece nenhum pouco com Attack Attack!, uma das maiores atrocidades dos tempos atuais.

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