Track 1: “Canal 12”, por Esteban

Rodrigo Tavares até o início do ano era o baixista e um dos principais compositores da Fresno. Tavares um dia acordou e decidiu sair da banda para focar em sua carreira solo que já existia a três anos, mas não teve o pontapé inicial, o disco de debut. Lançou várias músicas para os fãs ouvirem, mas nenhum disco (ainda). Acredita-se que esse ano teremos o tão esperado ¡Adios Esteban!, nome de seu primeiro disco em carreira solo. E a sonoridade é surpreendente para quem nunca tinha ouvido Tavares como Esteban. O homem todo tatuado, vindo de uma banda taxada de emo, mostra uma grande influência do Rock Argentino, do Rock Gaúcho e até da Música Nativista Gaúcha, que unidas formam um clima agradável e Pop (para nós, Rock para os hermanos). É o tipo de som que agrada a (quase) todos. Apenas extremistas a determinado gênero deverão odiar esse projeto. E um bom início para ouvir Esteban é com “Canal 12”.

“Canal 12” é o tipo de música que pode ser considerada comercial e ainda sim soar verdadeira, interessante e bem emocional. A música tem um alto poder de identificação com quem está ouvindo. Não no sentido de “o autor fez para o ouvinte”. Um (bom) compositor jamais faria algo para agradar alguém além de si mesmo. O poder de identificação vem da simplicidade da música, da maneira como é fácil de absorvê-la, da maneira como Tavares se impõe no vocal, do instrumental, e, principalmente, da letra (falarei posteriormente sobre esta seção). Você se identifica com o que o compositor está passando com a música, o que é um grande fator para criar uma relação com o público, seus fãs. Outro ponto positivo da música é o uso de instrumentos que os fãs de Fresno (provavelmente) nunca deram atenção ou nunca se interessaram, como o acordeão. Tavares coloca na cabeça de seus fãs instrumentos não familiarizados muito bem, fazendo com que os gostos de seus fãs sejam expandidos, seja intencional ou não.

E que tal os vocais de Tavares? Tavares se impõe a música de uma ótima forma, soando bem honesta e sincera, deixando seus sentimentos irem de acordo com a música, que por si só é triste. Tavares não atinge notas altas, seja por vontade própria ou porque não consegue (mais provável a segunda), mas isso não faz da música pior. A voz do ex-Fresno é muito interessante e combina com a atmosfera da música. Ele soa melhor que muitos vocalistas que atingem notas altas (ou costumavam a atingir), como James LaBrie, do Dream Theater, e Geddy Lee, do Rush (mas ambos continuam fodas). Tavares deu a interpretação bela e correta para o que a letra e música pedia.

E a letra provavelmente é o ponto mais fraco da letra. Não é porque é ruim ou falta detalhes, como faltou em “Infinito”, da Fresno. Na verdade, “Canal 12” tem uma boa letra com boas metáforas e ideias. Ela tem um grande potencial de identificação e é fácil de compreende-la. Então qual é o problema que faz a letra ser o ponto fraco? A poesia, mais especificamente na rima e na métrica (algo praticamente inútil nos tempos modernos, mas ainda assim é um motivo para reclamar aqueles que são mais chatos). As rimas são mínimas e a métrica é praticamente inexistente. Mas esses pontos perto do poder que a música oferece, o feeling da música de Esteban passa, supera toda essa quase falta de rimas e métricas, mostrando aos chatos que nem sempre precisa seguir algo padronizado. Mas ainda me deixa uma pergunta no ar: “Canal 12” tem uma letra simples, abordando o tema de “seguir em frente, mudar sua vida, esquecer do passado”, e da maneira como Tavares passa, é quase certo de que é sobre um romance fracassado. É um tema simples que poderia ter um pouco mais de esforço para as rimas, mas que no fim das contas, ainda continua sendo uma boa letra para uma ótima música. Pelo menos não estamos tendo temas estúpidos como muitos artistas do Sertanejo Universitário andam usando ultimamente (e que conseguem ser mais “Rock & Roll” que muitas bandas brasileiras que se proclamam “Rock & Roll”).

“Canal 12” é uma bela música com um alto poder de identificação ao ouvinte e fácil de agradar aos mais variados gostos musicais, possuindo uma produção muito boa e satisfatória. Uma letra que mesmo sem muitas rimas mostra o qual poderosa e emocional pode ser, sem falar no belo solo de acordeão, um instrumento atípico para os fãs de Rodrigo Tavares, que boa parte são jovens sem muito conhecimento musical (ex: se aquele garoto ouve tal tipo de música, será tachado somente como “o garoto que ouve tal tipo de música”) ou não tem interesse em buscar por novas ideias musicais. O único grande problema de “Canal 12” (se nós ignorarmos os problemas poéticos0) é que a música já existe a mais de dois anos e já foi lançada em uma versão diferente (sem acordeão e com outras alterações), não tendo muita inovação com o material cedido. No fim, ocorreu poucas surpresas para quem já conhecia Esteban, mas é inegável que essa música é muito boa e merece muito, mas muito destaque.

Um pensamento sobre “Track 1: “Canal 12”, por Esteban

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