Track 1: “Infinito”, por Fresno

Olá, caros leitores do blog Images & Words. Você deve ter percebido na falta de textos nos últimos tempos, infelizmente. Nós, escritores do blog, não estamos dando conta de fazer resenhas constantemente. Por isso, para deixar as coisas mais fáceis para todos e para que vocês possam ter algo para ler, haverá uma nova coluna. A coluna será chamada de Track 1, onde o escritor irá escrever sobre uma música em especial. Os requisitos mínimos para um texto Track 1 é que a música seja mais atual possível, que seja um single e que de preferência tenha um videoclipe ou um vídeo oficial lançado pelo artista/banda. Caso queira sugerir uma canção para o Track 1, vá a aba “Sugestões” ou clique aqui e faça sua sugestão. Com isso dito, vamos começar o novo quadro com Fresno! Pode não ser uma escolha que agrade a todos, mas quem escreve é quem decide, então paciência.

Após o lançamento do EP Cemitério das Boas Intenções, que foi analisado no ano passado aqui no blog e você pode conferir clicando aqui, a banda gaúcha Fresno teve um momento difícil com a saída do baixista Rodrigo Tavares, que decidiu seguir outros projetos, como sua carreira solo. Mas a banda composta atualmente por Lucas Silveira (vocalista e guitarrista secundári0), Gustavo Mantovani, ou melhor conhecido como Vavo (guitarrista principal), Bell Ruschell (baterista) e pelo novato Mário Camelo (tecladista) seguiram em frente e se tornaram a primeira banda/artista no mundo a lançar um videoclipe com imagens do espaço. E sinceramente, é um videoclipe muito bonito de assistir e eu recomendo que você assista, entretanto não deixa de ser confuso em alguns momentos graças a edição. As crianças são os caras da Fresno no passado ou são pessoas totalmente diferentes? Se são do passado, a viagem do balão conseguiu voltar ao tempo e trocar de lugar com o outro balão? Se não é do passado, como é que os balões trocaram, sendo que os caras da Fresno foram informados? Será Bell Ruschell o novo Arnold Schwarzenegger no quesito atuação? Essas perguntas e outras provavelmente nunca serão respondidas. Mas ao invés de ficar com dúvidas nesse videoclipe, que tal focarmos na música?

Algumas pessoas dizem que essa música soa algo vindo do Muse. Eu não creio que “Infinito” faria a cara do Muse. A banda inglesa certamente gosta de espaço, assim como Lucas, e a Fresno tem uma grande influência da banda de Matthew Bellamy e com a entrada de Mário isso se tornou ainda mais visível (e melhor). Mas eu ainda não consigo ver uma conexão que faça você dizer “Fresno está com som à la Muse”. O que eu posso dizer é que existe uma forte influência na musicalidade e nos timbres da Fresno, principalmente por causa dos teclados, que antes em Revanche eram terríveis. Tão terríveis que fariam a ConeCrewDiretoria ter receio em ouvir (confira um exemplo).

A música “Infinito” apresenta uma atmosfera positivista e bem amigável, soando até Pop (mas ainda sim podemos classificar como Rock, mas ambos no modo mais lúcido possível). Não ao nível de “Esteja Aqui”, um Pop arroz de festa gritante e irritante, mas bem agradável de se ouvir. Os vocais de Lucas soam bons e o mesmo atinge notas elevadas, as guitarras trazem um riff interessante acompanhado por uma bateria típica de um Rock mais simplificado, porém perfeita para o que música queria trazer e, claro, os bons timbres de Mário dão um ar mais encantado a faixa. Mas a falta de ao menos um solinho de guitarra (algo que faltou no último EP) deixou a desejar. O baixo, gravado por Lucas, incrivelmente soa interessante e até marcante. Você consegue senti-lo em determinados momentos da canção, mas nada comparado ao que Tavares fez em Cemitério das Boas Intenções, que colocou seu baixo no talo. Musicalmente, “Infinito” é uma boa música, com boas escolhas nos timbres e tem tudo para tocar na MTV, MixTV e em algumas rádios e programas televisivos.

O que decaí o nível de “Infinito” ao ponto de eu sentir um pequeno desgosto vem da letra. A letra a primeira vista não é ruim. Tem alguns momentos grudentos e marcantes e seu refrão é bom. Mas qual é o problema que me faria sentir esse pequeno desgosto? O quão vago a letra de “Infinito” é. Começar pelos três primeiros versos da canção:

“Eu nunca fui de lembrar
Nem tenho quadros em casa
Pois são a fonte do problema”

Então me diga senhor Lucas Silveira, homem que compôs a letra dessa música, o que você nunca foi de lembrar e porque ter quadros em casa são a fonte do problema? A música mal começou e eu já estou confuso! Bom, talvez na próxima estrofe ele explique algo. Vamos ver:

“A vida nem sempre é
Do jeito que eu esperava
Eu já nem sei se vale à pena”

Você não explicou nada. Ainda continua muito vago e sem sentido. O que que você não sabe se vale à pena? Viver? Matar? Comer? Cheirar cocaína a meia-noite na casa do Tavares? Expresse-se melhor, homem! Próxima estrofe. Espero que as coisas melhorem:

“Mas se eu pintar um horizonte infinito
E caminhar, do jeito que eu acredito
Eu vou chegar em um lugar só meu”

Como assim “Eu vou chegar em um lugar só meu”? Você vai morar embaixo da ponte? Roubar a casa de alguém? Se juntar ao MST? Sabe… um pouco de detalhe as vezes bem colocado muda muita coisa, sabia? Espero que o refrão ajude em algo e não seja aqueles feitos somente para grudarem:

“Lá pode ter um novo amor pra eu viver
Quem sabe uma nova dor pra eu sentir
A droga certa pra fazer te esquecer
Vai apagar a tua marca de mim”

O que se dá para perceber é que Lucas quer viver em um outro lugar que não seja o planeta Terra. Ele quer viver um novo amor, quer sentir algo novo, quer experimentar novos desejos e conhecer nosso grande universo. Tem uma maneira muito mais rápida de conseguir isso, meu caro músico, e não precisa jogar um balão na atmosfera para isso, gastando uma fortuna. Basta ter um console de última geração e jogar Mass Effect. Você conhecerá o universo e novas formas de vida de uma maneira bem mais rápida e poderá encontrar um novo amor, como um relacionamento gay ou com uma alienígena muito atraente. Se quiser sentir uma nova dor, o jogo te dá a grande experiência da morte. Ou se quiser mudar de sexo, o jogo te deixa jogar pelo time feminino, podendo optar desde o lesbianismo até o alienígenas nazistas (ok, nessa parte dos alienígenas nazistas eu inventei). Sem contar que temos uma excelente história nessa saga de três jogos. É muito mais rápido, prático e barato!

Incorporando um tom mais sério agora, o refrão da música é a melhor parte da canção e isso acontece graças a voz de Lucas, na qual contém muita emoção, algo que muitos vocalistas extremamente talentosos sonham em por essa emoção. E de certa forma explica algumas coisas na qual a letra iniciou, entretanto continua vago. Quem você quer esquecer, Lucas? Sua ex-namorada? Rick Bonadio? O Tavares? Eu não sei se essa é uma música sobre esperança em geral ou uma pessoa que teve azar no amor e que quer seguir em frente. Vindo da Fresno, é mais provável a segunda opção. O restante da letra não é necessário mencionar. Não porque são estrofes ruins ou não consigo fazer piadas sobres. Apenas segue aquilo que a letra deveria ser: o infinito, o espaço, o desconhecido, o sonho, entre outras coisas. Quem sabe a Fresno pensasse de outra forma, tentando lançar uma “Born To Run” ou uma “Come On Eileen”, mudando a letra um pouco e torna-se algo mais sério, adulto e foca-se na nossa humanidade e na esperança e não no que não está ao nosso alcance, teríamos uma música no mínimo excelente? Com essa conclusão, eu tenho certeza que essa música é sobre a esperança de ter um amor alienígena no espaço.

“Infinito” é uma boa canção para a rádio e se tiver forças o suficiente pode se tornar um hit nacional, levando a banda novamente ao status que um dia esteve (mas não acredito muito nisso). Apesar de algumas ideias legais, a letra é muito vazia nos detalhes, o que poderia melhorar a faixa, sem falar que um solinho de guitarra deixaria tudo mais marcante e potente para esse lead single. E outro problema da canção é que ela é do tipo que cresce com o tempo que você escuta. Talvez na terceira ou quarta vez você já pode definir bem se gostou dela e se ela te marcou ou não, o que pode afetar na hora de se tornar um hit nacional da maneira como “Uma Música” foi (se eu me recordo bem). Mas mesmo assim é uma faixa interessante e nos deixa curioso para o que virá no novo disco da banda, chamado “Infinito”, que está para ser lançado em Setembro. Veremos o quão forte é esse novo álbum da banda.

2 pensamentos sobre “Track 1: “Infinito”, por Fresno

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