Cromagnon – Orgasm (1969)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Experimental, Avant-Garde, Rock Psicodélico
Gravadora: ESP-Disk

O único disco lançado pelo Cromagnon, Orgasm (que nos anos 2000 seria relançado intitulado como Cave Rock), é considerado um dos discos mais tenebrosos, radicais, futuristas e, principalmente, assustadores de uma era. A banda composta por apenas três integrantes, Austin Grasmere, Brian Elliot e Sal Salgado, que produziram o disco, gravaram as vozes e criaram as músicas deste LP, que mesmo não havendo sucesso comercial algum, sendo um produto muito underground, Orgasm é tido como os primeiros passos que iriam levar a outros gêneros nas décadas seguintes, como Noise Rock, No Wave e Rock Industrial (e diria eu que até levou ao início de um dos gêneros mais exagerados e brutais, o Black Metal). Mas esse disco é realmente tão bom, mas tão bom, que além de revolucionador, é uma obra-prima, na qual devemos lembrar e mostrar aos nossos amigos, filhos e netos a sonoridade deste único disco do Cromagnon? Eu sinceramente discordo e muito dessa possível afirmação.

O álbum começa com “Caledonia”. Sua introdução lembra aqueles créditos iniciais de filmes (veja aqui), mas como se estivesse sintonizando em algum canal, até que finalmente chega ao canal, que poderíamos dizer que é a música. Em resumo, é uma mistura assustadora entre música ambiente, folk escocês e vozes que sussurram de uma maneira bem incomodativa. É uma música estranha, mas que funciona e até possível dizer “curtível”, se você tem um certo fascínio por músicas “especiais”. É em minha opinião a melhor faixa do disco, iniciando muito bem as coisas, se é que pode se dizer “bem”. Depois de “Caledonia”, temos “Ritual Feast Of The Libido”, e é aqui que as coisas ficam ainda mais estranhas. São três minutos e meio de pedras sendo esmagadas, pedaços de madeira sendo batidos, gritos neandertais e loucos… Chega a ser agonizante. E é só isso que a faixa tem a oferecer. Não possui uma estrutura ou nexo. Aliás, tudo feito neste álbum não possui uma estrutura comum e usual que conhecemos e, principalmente, não possui nexo, algo que a banda nem tenta fazer. É tão sem nexo, que é possível dizer que nem é um álbum de Rock (mesmo recebendo classificações deste tipo). É uma tremenda loucura.

“Organic Sundown” continua o que foi feito na faixa anterior, mas dessa vez temos mais instrumentos (uma tribo batendo em pedras), uma duração mais longa (7 minutos) e mais sussurros e gritos. É um som caótico, ao ponto de considerar uma sonoridade infernal. “Fantasy” começa com um pequeno grupo de pessoas cantando juntos “papapapapapapa…”, até que começa risadas esquisitas e sons vocalizados bizonhos. As risadas começam baixas e crescem de maneira quase ensurdecedora, e é possível ouvir gemidos, até que é ouvido aqueles relógios antigos que fazem “cuco” e sirenes, depois efeitos radiofônicos que  no fim, a única vontade é de pular para próxima faixa, que é “Crow Of The Black Tree”. Com uma pequena introdução de violão, o nexo finalmente começa a existir em alguma faixa, até que ocorre uma pequena pausa, um retorno mais veloz do violão e não só temos batidas tribais, mas como uma tribo fazendo um coral, durante uma faixa de quase 10 minutos, isso até o final, que parece uma grande celebração. Por mais cansativa que seja, o nexo existe aqui, por menor que seja.

Então a sexta música é “Genitalia”. Resumo: um cara que canta parecido com Frank Sinatra cantando em volta de mulheres gritando das maneiras mais absurdas e esquizofrênicas que você possa imaginar. E olha que o cara canta bem. Mas o que cerca sua voz é doentio. A próxima faixa é a “Toth, Scribe I”. São quase onze minutos de uma sonoridade barulhenta e alta, que com o decorrer vai crescendo e ficando cada vez mais e mais barulhenta e alta. E é somente isto que a canção tem a oferecer. Não é interessante e é chata, mesmo tendo lógica. As outras faixas possuem gritos e loucuras insuportáveis, mas em “Toth, Scribe I”, o único sentimento que eu sinto é tédio. E esse é daqueles discos que tédio é algo praticamente inexistente. E para encerrar temos “First World Of Bronze”. Uma guitarra fritadora de fundo com um coral que você encontra na Igreja predominam nesta faixa de quase três minutos de duração. Não é memorável como as outras, mas continua bem barulhenta, e termina o álbum de um jeito fraco, mas nada que realmente prejudique o nível de experimentalismo do trio.

Então, se você tiver coragem e a ousadia de ouvir esse álbum, essa loucura do final da década de 60 chamada de Orgasm, e posteriormente intitulada de Cave Rock, eu só espero que você tenha um estômago muito forte, ouvidos extremamente resistentes, uma vontade experimental suicida e, porque não, uma grande vontade em conhecer o passado musical. Cromagnon não é para um ouvinte qualquer. Precisa de, além de experiência como um ouvinte de Avant-Garde e música experimental, um gosto musical duvidoso ou ao menos excêntrico (para no caso gostar). O único disco da banda é algo que você não precisa ouvir e poderá seguir sua vida em frente sem ele, mas se fizer isso, ao fim dele, só pensará “o que foi o que eu ouvi?”. É uma viagem única de um disco único, feito da maneira mais esquisita e indulgente possível, porém inovador e criativo, mas que não salva a sonoridade feita, que em minha opinião, é de um péssimo gosto, com nexo e estrutura praticamente inexistentes e que você deveria evitar a todo custo, mas, apesar dos pesares, eu recomendo ouvir. Orgasm, por mais bizonho e estranho que soe, é merecedor de uma experiência, como já disse, única, tendo bons momentos. Precisar ouvir antes de morrer? Não. Mas se quiser dizer que já ouviu de tudo, esse disco é o que você precisa. Caso você for muito conservador, fique longe disso.

1 – Caledonia

2 – Ritual Fest Of The Libido

3 – Organin Sundown

4 – Fantasy

5 – Crow Of The Black Tree

6 – Genitalia

7 – Toth, Scribe I

8 – First World Of Bronze

2 pensamentos sobre “Cromagnon – Orgasm (1969)

  1. KKK!
    Eu tive este disco em vinil, achei que jamais conheceria pessoas( tirando meus amigos sofredores) que o citacem.Sempre achei que fosse (permaneço) uma tiração de sarro
    do trio em sí.É muito ruim, picareta tipo terra de ninguem.,mas o que veio em seguida é
    tão ruim quanto ,e conta com um bando de gente ignorante em música no geral, para dar
    legitimidade.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s