Cloud Nothings – Attack on Memory (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Indie Rock, Rock Alternativo, Revival Pós-Punk
Gravadora: Carpark

Na atual sociedade em que vivemos, presa sempre a estereótipos, uma pessoa tem geralmente dois caminhos a traçar: ela pode seguir as modas, os estilos, e ser taxada como normal, ou ela pode se rebelar (mesmo que seja sem querer) contra toda a cultura momentânea e viver no passado. Um passado que a maioria dos adolescentes nem chegou a viver.

Nem chegaram a viver, mas encontraram no passado um abrigo para tudo que jogam contra eles. Não é anormal o número de hipsters headbangers jovens, algo consideravelmente grande atualmente. E quando os Cloud Nothings lançaram o primeiro LP (auto-intitulado de 2011, via Carpark Records), o compositor e vocalista Dylan Baldi tinha apenas 19 anos. Um bebê que nem saiu das fraldas, mas que já queria ser Kurt Cobain, mesmo tendo nascido depois do Nevermind, de 1991. Mas não precisa de experiência para fazer o quê ele fez na boa estreia da banda, e sim maturidade.

O termo “maturidade” é meio ambíguo, pois neste caso, seria mais uma “pseudo-maturidade”. Embora ele se mostrasse mais velho do que aparentava, ainda falava sobre amor adolescente e dúvidas. Quando foi anunciado o segundo álbum da banda, Attack on Memory, todos esperavam que Baldi tivesse envelhecido um ano, porém a evolução foi muito maior.

Logo após o play e o início de “No Future/No Past”, a mudança é a única coisa que percebemos. Através dos quatro versos repetidos (porém sempre com mais raiva e intensidade), a banda se mostra minimalista, revoltada, suja. Mas a faixa é apenas uma introdução ao que temos em “Wasted Days”, uma das melhores faixas que eu ouvi em um bom tempo. A progressão harmônica simples adicionada aos vocais melódicos e diretos criam uma atmosfera única que desemboca em um jam que ocupa mais da metade da canção. Porém, este raivoso Dylan Baldi (cada vez mais Kurt Cobain, como já antes citado) não é o único existente. Em “Fall In” e “Stay Useless” está concentrada a comercialidade do álbum, com influências pop-punk e post-punk revival, e alguém que quer ser um Billie Joe Casablancas, sem perder a identidade.

Outra ambiguidade é o alvo do álbum: será que querem virar estrelas da Pitchfork ou da Billboard? Querem virar camisas ou prateleiras? Bom, o caminho underground que eles estão propondo dá a eles muitas possibilidades, inclusive as que eles merecem. Attack on Memory, como se não estivesse explícito no título, é um ode às nossas infâncias e lembranças profundas, algo totalmente sem noção vindo de um rapaz de 20 anos. Mas vou apenas ressaltar que o tal rapaz fala como um mestre.

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