Caetano Veloso – Transa (1972)

Origem: Brasil
Gêneros: Tropicália, MPB
Gravadora: Polygram

Quem não conhece Caetano Veloso? A maioria dos leitores deste pequeno blog devem olhar para ele e pensar em uma pessoa apática e chata, e o mesmo se diz musicalmente. Mas antes de as pessoas pensarem assim dele, lá no final de década de 60, Caetano foi exilado em Londres durante três anos, e lançou dois discos, o auto-intitulado terceiro disco (conhecido como London, London) e seu quarto disco e uma grande obra da música brasileira, Transa. Em Transa, assim como no seu terceiro disco, possui o uso da língua inglesa nas canções, sendo em boa parte uma mistura interessantíssima e bem aplicada. Outro ponto interessante é o uso de compassos de Reggae, dando uma nova encorpada as canções.

A primeira faixa é “You Don’t Know Me”, e começa calma, e com seu decorrer ela cresce e fica mais agitada. Temos então a mistura entre línguas. Quem pensa que fica um “Portuglês”, engano seu. Para deixar bem claro, Caetano canta partes em Inglês e outras em Português, e é bem aplicado. Uma voz feminina participa da canção em alguns momentos, mas não é possível saber quem é ela, já que o disco sofreu alguns problemas que comentarei adiante. A segunda faixa é “Nine Out Of Ten”, e aqui a mudança do Inglês para o Português é muito dinâmica. É a canção mais animada do álbum. Em “Triste Bahia”, música com quase 10 minutos de duração, o homem e sua banda fazem um trabalho sensacional, até o final da faixa que, sinceramente, é coisa de outro mundo, mostrando uma musicalidade interessante e pode ser aclamada como a melhor faixa do disco.

“It’s A Long Way”, “Mora na Filosofia” e “Neolithic Man” são boas e belas canções. Caetano mostra uma interpretação bacana, sejam elas suaves, em falsetos, em tons elevados e alegres ou tons baixos e entristecidos, mostrando uma bela versatilidade. Único problema do disco vem com seu encerramento, “Nostalgia (That’s What Rock’n Roll Is All About)”. É uma canção divertida e curta (Não tem nem 1 minuto e meio de duração), mas encerra o disco como “É só isso pessoal. O show acabou, vão para casa!”. Faltou um encerramento digno as outras canções desse disco. E nem precisa incluir a canção no álbum, ela soa desnecessária.

A banda que compôs esse disco é sensacional. Muito boa, elevando a qualidade deste lançamento. Mas temos um problema. Sobre o álbum, Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil: “Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo”. O que é uma pena, já que seria muito bom saber quem foi quem nesse álbum.

Transa sem sobra de dúvidas é um disco importantíssimo na história da música brasileira e marca o retorno de Caetano as terras brasileiras depois de ser exilado em Londres. Os problemas desse disco não chegam a serem minúsculos, mas de certa forma fazem diferença, mas não prejudica a audição deste disco. Transa é recomendado para amantes da música brasileira e para aqueles que dizem que a nossa música não presta (ou acham que Caetano é, sempre foi e sempre será, um cara apático e chato, seja musicalmente ou pessoalmente).

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