Yudi Tamashiro – E aí, conectou? (2012)

Origem: Brasil
Gênero: Sertanejo Universitário
Gravadora: Universal Music

Yudi é o famoso apresentador do programa infantil Bom Dia & Cia do SBT, e em 2009 vendo que artistas que nem Justin Bieber fizeram sucesso, aproveitou a moda do momento e lançou um álbum da mesma proposta no mesmo ano (e a capa de Dominar Você, soa muito familiar á uma parte do clipe Baby de Justin Bieber). E isso aconteceu novamente, agora em 2012, quando a moda da vez é o sertanejo universitário, Yudi tentou arriscar. E não tem muito o que comentar sobre o lançamento deste ano, não é algo que acrescenta nada de novo ou de interessante, e não falo isso do cover ‘Hoje Tem Balada’, que dá para perceber que é um cover pelo simples fato de ser a melhor música do CD. Possui a produção de Orlando Baron, responsável por discos de Fernando e Sorocaba e Luan Santana, talvez por isso as coisas não mudam. As mensagens passadas são de fácil entendimento e algumas vezes até bizarras, que é o caso de ‘Tô Na Net’. A sétima faixa, ‘Tá Combinado Assim’ (outro cover) é a mais diferente, por ser uma balada com piano, mas ainda nada surpreendente. Resumindo (mais ainda), os fãs do novo sertanejo se não ficarem com preconceito por parecer bizarro ouvir algo do Yudi, vão gostar, que com todo o respeito, não são exigentes e não ligam se irá soar tudo igual, talvez até gostem se for desse jeito.

Anúncios

Yudi Tamashiro – Dominar Você (2009)

Origem: Brasil
Gêneros: R&B, Hip-Hop, Dance-Pop, Pop, Pop Rock
Gravadora: Universal Music

Pense em algo extremamente brega, infantil, clichê, fraco, Pop de araque e praticamente uma tentativa de ser equivalente a caras como Justin Bieber e com um conteúdo lírico equivalente ou pior a da banda Restart, e tudo junto forma algo que irritaria até o Mahatma Gandhi. Pensou? Não vomitou? Então você irá quando ouvir esta bela porcaria de Yudi Tamashiro, Dominar Você. São 13 faixas terríveis, que denigrem tudo aquilo que você ouviu. O disco começa com “Intro”, totalmente cafona e feia, e segue na terrível faixa-título. Ele tenta soar romântico em “A Pureza”, mas parece que jogaram uma mistura entre Pe Lu, Luan Santana, Ursinhos Carinhosos e uma privada cheia de merda. E o pior de tudo isso é a clássica “Funk do Yudi”, que só pelo título você deve imaginar como é essa desgraça. Este disco é uma piada, mas daquelas piadas de um gosto terrível. Honestamente, esse disco pode ser facilmente classificado como uma obra-prima, pela facilidade de digerir esse som que entra no seu tímpano e confunde todos os seus neurônios, além de entupir seus miolos com uma musicalidade instável e ridícula. E Yudi é um cantor de dar vergonha. Melhor ficar apresentando seu programa com a Priscila que assim você não fere nossos tímpanos, apenas daqueles que insistem em ligar a televisão para assistir o seu programa infantil. Recomendo a todos que fujam deste disco, principalmente pela capa. Yudi não vai apenas Dominar Você, ele vai Possuir Você. Cuidado!

Porcupine Tree – Nil Recurring (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Transmission, WHD, Peaceville

Nil Recurring é um EP lançado alguns meses após Fear Of A Blank Planet. As canções deste EP foram feitas durante as gravações de Fear Of A Blank Planet, que já foi analisado aqui. A banda é a mesma. Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e Gavin Harrison (bateria). O EP segue o mesmo conceito e ideias de FOABP (usarei uma sigla para evitar repetições em exagero), tanto é que as quatro faixas deste EP foram lançadas juntas com a versão vinil de FOABP. Mas seria injusto eu resenhar elas todas juntas, sendo que a qualidade do vinil ao CD ou ao download em MP3/vídeo do YouTube é gigantesca. Então eu decidi fazer via “parcelas”, como a banda decidiu fazer (e eu sou a favor do grupo ter feito isso). Mas, vamos ao conteúdo musical.

O álbum abre com a faixa-título. A faixa é uma instrumental que encaixa na sonoridade de FOABP, contendo riffs bacanas, bem trabalhada e sem exageros que no fim desaguam em lugar nenhum. Boa faixa para começar o EP. “Normal” é a próxima e tem uma introdução acústica até a banda toda aparecer. Seu refrão é bonito e tem uma grande similaridade com “Sentimental”. Seu final é interessante, e encerra com o seguinte verso: “Wish I was old and a little sentimental”. Enquanto ela encerra assim, “Sentimental” inicia com este verso: “I never wanna be old and I don’t want dependence”. Tem momentos muito interessantes, sejam belos ou pesados, que elevam a qualidade da canção. Em “Cheating The Polygraph” é a quem mais tem peso no EP, porém é a menos encantadora. Sua introdução não cativa, até chegar ao refrão, que também não é dos mais fortes. Para encerrar temos “What Happens Now?”, que começa com  uma percussão, e sua progressão é bacana, mas nada muito atrativa, e mais da metade da música passada você provavelmente se sentirá cansado, mas ela tem seus momentos interessantes e dá para viajar no som feito, principalmente no final da canção, encerrando bem a obra.

Nil Recurring é de certa forma um bom EP, mas não é dos mais atrativos, e serve como complemento de Fear Of A Blank Planet. Se você quiser se aprofundar no som do grupo, ou ser uma pessoa mais alternativa na música, é uma boa dica este “Extended Play”, além, claro, do próprio FOABP. Mas você pode cansar em alguns momentos, o que é totalmente normal, já que, apesar de serem apenas quatro canções, elas são longas e tem muitas passagens e nuances. O conteúdo lírico e arranjos são similares também a FOABP, então, ao invés de ouvir apenas Nil Recurring, ouça também Fear Of A Blank Planet. Eu recomendo.

Continue a ler

Música em minha vida: Antes, durante e após ao Dream Theater

Antes de mais nada, eu preciso fazer questão de deixar muito claro antes de você começar a ler esta minha pequena jornada caso você não tenha entendido o título (o que eu simplesmente duvido). Este texto que você irá ler não será apenas sobre a banda Dream Theater, é também sobre Andrews Senna, a pessoa que o escreve. É um texto muito pessoal (soa até auto-biográfico) e que irei compartilhar com você, e já avisando que será longo, bem longo. Espero que goste!

As pessoas que me conhecem sabem que eu não sou do tipo padrão social, ainda mais quando o assunto é música. Por mais que a minha profundidade musical foi e ainda é equivalente a um pires e não saber tocar um instrumento, eu sempre tive interesse em ouvir músicas mais alternativas se for comparar aos meus amigos. Enquanto aos 7 anos eles escutavam o Bonde do Tigrão, eu ouvia Gorillaz. Enquanto aos 12 anos eles escutavam 50 Cent, eu ouvia Slipknot e Linkin Park. Na minha atual idade (que por acaso é 17) eu escuto muitas bandas que não vale a pena citar apenas uma, já meus amigos ouvem desde NxZero, Restart, Luan Santana, Mr. Catra e uma penca de artistas. Não porque as coisas que eu ouvia eram melhores, mas elas tinham algo que me chamava a atenção. Com o tempo, eu deixei de lado Gorillaz e Slipknot e fui ouvindo outras coisas que não me recordo claramente, já que minha mãe para a música ainda era a MTV (tanto é que forcei meu tio a comprar Bullet In A Bible, DVD do Green Day, de aniversário). Cresci com a MTV sendo minha mãe graças a minha irmã, que começou vendo desde seus 5 anos. E não me pergunte o porque de isto ocorrer. Falando nela, atualmente ela tem quase 20 anos e escuta Michel Teló e muito Funk Carioca, e não me pergunte como isso aconteceu. Voltando a minha pessoa, eu apesar de assistir MTV diretamente, aquele Pop de Madonna e de outras artistas não me pegavam, nem as músicas chorosas das bandas emos brasileiras. Só conseguia ouvir músicas em Inglês e com vocal masculino. Detestava frontwoman, o motivo talvez seja porque elas me recordam de momentos traumáticos e vergonhosos da infância… Mas agora eu não sou o mesmo, consigo absorver melhor músicas em Português e vozes femininas.

Como deu para perceber acima, eu era (e talvez seja) um garoto alienado. Não escutava as coisas direito e só ouvia aquilo que me agradava a primeira vez. Segunda chance? Jamais. Álbuns? Nunca tive uma referência, pois meu pai era a favor da pirataria (nunca pagaria R$50,00 em um lançamento ou disco antigo que gostava muito) e os downloads quando era um menino eram lentos demais. Os discos que ele comprava não fazia eu ouvir com ele. Na verdade, meu pai nunca foi referência musical e provavelmente nunca será, ou eu iria ouvir Bee Gees e Zezé di Camargo & Luciano com prazer. E também nunca tive um amigo ou tio que tivesse a “coragem” de tentar me influenciar na música, com exceção da minha irmã, que tinha a mesma cabeça musical que a minha graças a MTV. Mas com a melhora e também o aumento da velocidade da internet, finalmente pude baixar discos, algo que eu não fazia muito pela falta de costume. Quando eu tive 14 anos, eu já não ligava a televisão para assistir a MTV, que havia virado adubo. Minha nova mãe virou a WWE, aquela federação de wrestling, que no nosso Português seria a luta-livre, telecatch, e para alguns que não entendem, farsa. É entendível o pensamento, mas vamos sair desse assunto, que não pertence ao blog. A WWE, que conheci em 2009 com este jogo (que foi lançado em 2008), me apresentou certos grupos que eu até hoje eu ouço, como Bloodsimple e Killswitch Engage (e na versão de 2010 apresentou-me o Trivium e Story Of The Year), e outros que meus amigos ouvem mas não gosto tanto, como Alterbridge. Quanto mais me aprofundava na WWE, mais música e bandas eu conhecia, mas foi com Bloodsimple e Trivium que eu comecei a ouvir discos por completo.

O meu primeiro disco (se recordo com clareza) foi Shogun do Trivium, e o segundo foi Red Harvest do Bloodsimple. Ambos os discos caíram rapidamente no meu gosto. Não precisou ouvir de novo para saber se gostei ou não. E assim comecei ir atrás de certos discos, como Stampede do Hellyeah (conhecendo graças a outra federação de luta-livre, TNA), Ten Thousand Fists e Indestructible do Disturbed, entre outras. A maioria que eu ouvia eu gostava de primeira e só ouvia aquela faixa que mais me marcou, até enjoar. Outras bandas que eu ouvia por recomendação de amigos da internet, como Megadeth e Edguy, o que meus ouvidos aceitavam eram muito, mas muito pouco. Eram bandas que mereciam audições extras, mas pela minha alienação não consegui digerir essas bandas. Um certo dia, eu estava conversando com meus amigos de internet (os amigos “da vida real” não conseguia conversar sobre música nem fazendo macumba) me falaram sobre a morte de The Rev, baterista do Avenged Sevenfold. Quando eu olhei a foto do indivíduo eu ri e fiz questão de não escutar a banda. Em outro dia, eu fiquei sabendo que o baterista do Dream Theater, Mike Portnoy, iria gravar as linhas de bateria de Nightmare, novo disco a ser lançado pelo Avenged Sevenfold. É aí que finalmente entra o Dream Theater nessa história toda.

Ao invés da maioria que foi atrás do Avenged Sevenfold, eu fui atrás de Dream Theater. O primeiro disco que eu ouvi da banda foi Black Clouds & Silver Linings, e levei certo tempo para procurar algo da banda. Esse disco me chamou a atenção por dois detalhes. A primeira coisa foi o número pequeno de faixas, tendo apenas 6. A segunda coisa me chamou a atenção ainda mais. A duração das faixas eram imensas para alguém não acostumado. Alguém com apelo ao som mais acessível certamente ficaria longe disso (a maioria das pessoas que eu apresentei Dream Theater tiveram essa reação), entretanto, eu era (e ainda sou) diferente. Aquilo foi um desafio atentador. Assim que fiz o download do disco, coloquei para ouvir, e a primeira faixa, “A Nightmare To Remember”, já começava diferente de tudo que já ouvido. Com mais de 16 minutos, aquilo era uma chuva de informações para um garoto de apenas 15 anos. Após escutar aquele disco, pela primeira vez eu entrei em duvida se havia gostado de um álbum. Não assimilei as canções do disco. Então eu decidi escutar o disco novamente, mas naturalmente, sem forçar. Apenas colocava para ouvir quando estava disposto. Com o decorrer do processo de digestão, decidi procurar por outras músicas do grupo, e iniciei meu vício na banda com “Pull Me Under” e “Metropolis, Pt. 1: The Miracle and The Sleeper”, ambas me fizeram “pirar”. Sempre que podia, colocava elas para tocar, e assim fui digerindo Black Clouds & Silver Linings (assim, desta maneira estranha mesmo). Comecei a valorizar o disco pelo pacote completo, não por uma única música. Claro, ainda era muito pouco, e isso começou a se desenvolver quando foi lançado Nightmare, quinto álbum de estúdio do Avenged Sevenfold. Sim, só comecei a escutar a banda quando lançou Nightmare. Nessa época o visual não me afetava e comecei a me focar apenas na música, que naquela pequena cabeça era o que importava (ledo engano meu).

Assim que eu comecei o disco, a faixa-título grudou na minha cabeça e demorou muito tempo para sair. Mas demorou mesmo. O disco acabou caindo no meu gosto com facilidade e eu acabei deixando de lado o Dream Theater, que eu já havia “comprado” (lê-se baixado) Systematic Chaos, de 2007, entretanto não havia dado sua devida chance. Acabei escutando tanto Avenged Sevenfold que decidi ouvir toda discografia da banda, e fazia isso simultaneamente com o Dream Theater, Trivium e Avantasia (que não havia citado, mas The Wicked Symphony foi um disco especial para mim). A7X (abreviação de Avenged Sevenfold) ficou na minha cabeça com facilidade, Trivium e Avantasia ficaram de lado, já o Dream Theater eu não conseguia apagar da cabeça, mas também não conseguia grudar, ouvia seus discos tentando prestar o máximo de atenção, mas foi difícil. Até conhecer Train Of Thought, de 2003. Aquele som pesado, diferenciado (para mim na época, pelo menos), com músicas longas, mas não tão quanto as de Black Clouds & Silver Linings. Lembro de dizer para o Mateus Pascoal (um dos administradores do blog, amigo de internet que considero um irmão perdido pelo mundo) que era o melhor disco do Dream Theater, mas ele dizia que era o Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory (e provavelmente ele estava certo e continua certo se ele ainda acha esse disco o melhor). Levei um tempo para ir atrás desse álbum, mas quando eu fui, valeu a pena, mas valeu mesmo. Se tornou um grande disco em minha “coleção”. Dream Theater se tornou minha mania, meu vício. Não era fã da banda porque nunca comprei algum produto oficial sequer da banda, e nunca achei tudo perfeito, como alguns fãs acham (eu sou daqueles que acham que fã, palavra derivada de fanático, é sinônimo de retardado). Eu me considerava mais um grande admirador da banda, que sabia dizer do que gostava ou não gostava.

Levou um certo tempo para eu mudasse de opinião sobre o Dream Theater, que considerava uma banda animalesca, digna de ser considerada a melhor da atualidade (!), por incrível que pareça. Mas antes dessa mudança, eu precisava de um motivo, certo? Vamos chegar a ele. Resolvi procurar bandas do gênero do Dream Theater, algumas influências do grupo e outras que não tinham nada a ver com a banda e por isso não irei cita-las. Conheci (sem ordem alguma) Circus Maximus, Haken, Ayreon, Pain Of Salvation, Porcupine Tree, Opeth, Between The Buried And Me, Rush, Yes, Genesis, King Crimson, Pink Floyd, Frank Zappa, Univers Zero e Emerson, Lake & Palmer. Todas as bandas citadas eu gostei do que eu ouvi. Algumas eu me aprofundei mais do que outras, mas todas tiveram algo a acrescentar a meu gosto musical, deixando mais amplo, e fui aprendendo a ouvir músicas mais diversificadas. Hoje, por exemplo, consigo ouvir MPB sem sentir “nojo” graças a esses grupos, por estranho que pareça. Comecei a dar valor ao que não conhecia e ouvir sem ter ideias pré-fabricadas. Mas quando eu comecei a me aprofundar nestas bandas citadas, eu comecei a reparar em coisas do Dream Theater que comecei a estranhar, comecei a ler, a formar opiniões próprias, além de me aprofundar no grupo ainda mais durante alguns meses (talvez mais de um ano). Hoje, aos 17 anos, percebo coisas que “ontem” não enxergava. E elas não sem nenhum pouco boas.

Por onde posso começar? Já sei! Que tal dizer que Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, disco considerado por alguns  o ápice da banda, na verdade é apenas a terceira etapa de um declínio constante? Sim, eu não estou louco. É um grande disco, sem duvida alguma. Mas tem algo além do que é visível. Vamos começar por onde tudo começou. When Day and Dream Unite, de 1989, era um álbum com uma produção porca e o vocalista era Charlie Dominici, que tinha uma voz típica de vocalista da década de 80. Além da falta de carisma no palco (segundo os membros da banda), não encaixava no som do grupo, composto pelos fundadores John Petrucci na guitarra, Mike Portnoy na bateria e John Myung no baixo, e no teclado Kevin Moore. Mesmo na sua estreia, o Dream Theater chamou a atenção pelo nível técnico de seus músicos, que será mais aclamado em Images and Words, de 1992 (nome do blog que você está lendo este texto), o clássico do grupo. Já com outro vocalista, James LaBrie, a banda consegue por o nome Progressivo de volta no mapa da música comercial graças ao hit “Pull Me Under”. A banda conseguiu se superar em Awake, de 1994, que sim foi o ápice da banda, e o último a conter o tecladista Kevin Moore, que ainda até hoje é considerado um gênio e deixa muitas “viúvas”. Enquanto que em When Day and Dream Unite e Images and Words tinham uma sonoridade que me remete a Circus Maximus, Awake é algo mais pesado e melancólico. E a partir de então, com a saída de Kevin Moore, que o processo de declínio começa.

Falling Into Infinity, quarto disco da banda e onde o ponto mais próximo de acabar chegou. Derek Sherinian substitui Kevin Moore. Com a pressão da gravadora para lançar músicas amigáveis para as rádios, a banda não pode lançar um disco duplo que queria lançar. Nesse disco duplo haveria a segunda parte de Metropolis, que teria mais de 20 minutos provavelmente. A gravadora conseguiu forçar a lançar faixas como grudenta, porém nojenta, “You Not Me”. Após lançar o álbum e por pouco a banda não acabar, Mike decidiu que a banda não seria produzida por mais ninguém, a não ser por eles mesmo. Aí é que entramos no segunda etapa do declínio. O primeiro disco a banda produziu foi o EP A Change Of Seasons, que teve a participação de David Prater. Mas agora quem produz o álbum é John Petrucci e Mike Portnoy, e Derek Sherinian sai da banda para ceder o lugar a Jordan Rudess. Aqui que as coisas começam a perder o controle. Aqui que o ego dos músicos acaba se tornando maior que a música. Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory tem momentos que se o produtor David Prater estivesse produzindo, iria dar uma “limada”, ou seja, tirar aquele exagero, principalmente na guitarra de John no solo de “Fatal Tragedy”, que hoje ele não consegue mais tocar. É um ótimo disco, sem duvida alguma, mas tem coisas ali que poderia ser alteradas. Após Scenes, temos o disco duplo Six Degrees Of Inner Turbulence. A banda tendeu para um lado mais pesado e experimental no primeiro disco, e no segundo algo mais clássico da banda. Alguns momentos dos dois discos poderiam ser “limados” facilmente, pelo bem da música. Mas até aqui o Dream Theater não lançou necessariamente um disco ruim. Isso vai depender do seu gosto.

Em Train Of Thought que as coisas perdem o total controle. O Metal, que já era uma das maiores características do grupo, se torna quase obsoleta. E não era só um peso comum, era uma fritação que chegava a ser esquizofrênica, uma masturbação musical de mau gosto. E sabe porque as coisas saem do controle? Ego. Essa é a palavra. A banda deixou-se levar pelo ego de seus músicos e que no futuro lançaria os fracos, chatos, e as vezes até exemplos de plágios, como Octavarium e Systematic Chaos e o extremamente forçado Black Clouds & Silver Linings. E o que dizer do novo disco da banda, A Dramatic Turn Of Events? A banda simplesmente reciclou alguns materiais de álbuns antigos, misturaram com novas ideias e botaram junto com Images and Words. Temos um álbum digno de AC/DC, que não arrisca algo mais diferenciado para não perder fãs. Me pergunto se não fosse o Grunge e Awake tivesse feito sucesso comercial equivalente a Images and Words, como seria a atualidade? Mike Portnoy estaria na banda? A banda seria mais famosa? São tantas as duvidas que eu facilmente me perco em meu pensamento.

Outra coisa que eu preciso dizer, é sobre o gênero da banda, Metal Progressivo. Dream Theater em minha opinião não é Metal Progressivo (com exceção – talvez – do álbum Awake). Todos os discos da banda até Falling Into Infinity são uma mistura de Hard Rock com Rock Progressivo, com pitadas de Metal (algo equivalente ao Rush), a partir deste álbum, eu classifico Dream Theater como Heavy Metal Técnico, ou no Inglês, Technical Heavy Metal, com influências de Rock Progressivo e Hard Rock. Faz mais sentido, já que a banda a partir de seu quinto disco começou a deixar seu lado Metal mais visível, e isso foi levado para os álbuns posteriores, além de um uso exagerado de técnica musical que no fim só servem para alimentar o ego do artista. O Dream Theater não é uma banda de Rock Progressivo, claro, mas tem canções que podem fazer parte do gênero, como a linda “Trial Of Tears”. O que poderia ser definido como Metal Progressivo? Eu definiria estas bandas como do gênero: Porcupine Tree (nos discos que usam uma influência do Metal), Ayreon (idem ao Porcupine Tree), Neal Morse, (idem ao anteriores), Fates Warning, e outras bandas que eu não irei citar para não ficar grande demais (e desnecessária).

A última pergunta pessoal para mim mesmo é: Eu irei continuar gostando de Dream Theater, apesar dos pesares? Sim, eu irei, mas não da mesma forma descontrolada e descabida. Agora eu tenho uma noção, um raciocínio melhor (eu acho). E se um dia eu deixar de gostar, eu certamente irei respeitar a banda, por me abrir para a música, por me mostrar coisas incríveis, e principalmente, por me ensinarem a escutar um disco. Odiar o Dream Theater por inteiro seria como cuspir no prato que eu comi milhares de vezes. Seria muito injusto fazer com quem me mostrou coisas que eu não imagina existir. Existe chances de eu mudar de ideia, mudar meu pensamento sobre a banda? Claro que existe essa chance, mas se será a mesma coisa que eu tinha antes? Improvável.

12 Stones – The Only Easy Day Was Yesterday (2010)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Alternativo, Hard Rock, Pós-Grunge, Metal Alternativo
Gravadora: Wind-Up

Enquanto não sai o novo álbum do 12 Stones, que está programado para ser lançado no mês que vem, vamos analisar o EP de 2010 como uma prévia. A banda composta por Paul McCoy (vocais), Eric Weaver (guitarra solo), Justin Rimer (guitarra base), Brad Reynolds e na época Mike McManus (bateria) lançam 5 canções, sendo uma muito conhecida pelos fãs de wrestling, graças a febre que foi a stable da WWE, The Nexus. Temos as agitadas ‘Welcome To The End’ e ‘Enemy’, aonde a banda faz um bom trabalho, uma mistura de hard rock com rock alternativo, nada fora do normal, mas são boas canções. ‘We Are The One’ é a canção da “gangue de rebeldes” Nexus, e ela segue o mesmo estilo de ‘Welcome To The End’,  nela podemos ouvir a frase “The only easy day was yesterday”, e tem uma ótimo refrão, que vicia, e essa ajudou muito para divulgar o EP da banda, pena que demoraram tanto para lançar o novo álbum, que deve sair mês que vem como já disse. ‘Disappear’ tem um refrão bem grudento e ela é mais leve do que as outras já mencionadas, e essa sendo a terceira faixa, a quarta é ‘Tomorrow Comes Today’, uma balada. E bem chicletuda, Paul McCoy exagerou um pouco na interpretação, mas segue o estilo rock alternativo e talvez os fãs gostam. Resumindo, The Only Easy Day Was Yesterday foi um bom lançamento mas que pecou em não ser um cacoete para o novo álbum, já que o EP teve um bom reconhecimento, mas pelas músicas vale a pena conferir, nada de extraordinário e quem curtir um som mais moderno irá gostar.

Continue a ler

Blink-182 – Neighborhoods (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Pop Punk
Gravadora: DGC, Interscope

Após um longo hiato de seis anos, o blink-182 retorna com um cd de canções inéditas. A banda criada em 1992 pelos amigos Tom DeLonge  e Mark Hoppus lança seu sexto álbum, e vamos à análise. Antes de tudo, gostaria de falar que este CD começou a ser produzido em meados de 2009, ano que a banda anunciou que estaria de volta com o novo álbum no quinquagésimo primeiro Grammy Awards, o que levou os fãs do blink à loucura.

Começamos o CD com “Ghost On The Dance Floor”, que tem uma batida muito boa, além de sua letra introduzir a evolução literal do grupo, que pode ser explicitamente notada ao longo do disco. Logo após temos a faixa “Natives”, uma das minha favoritas nesse CD. Ele tem uma batida contagiante, e o revezamento no refrão da música entre o Mark e o Tom é bastante notável, além de ficar na cabeça por horas. Logo após temos o primeiro single do álbum, “Up All Night”. A melodia em si é bastante legal, assim como a voz do Tom, porém a letra ficou meio fraca e repetitiva, mas mesmo assim é viciante, não desgruda da mente.

Depois do primeiro single, já temos o segundo. “After Midnight” é mais calma do quê as outra, porém é uma das melhores faixas do CD. Letra, melodia e a batida da música se harmonizam perfeitamente, e mais uma vez Mark Hoppus aparece no refrão dessa música, afinal a voz de Tom é boa, mas é, digamos que um pouco enjoativa. Logo após temos “Snake Charmer”, uma música razoável, bastante calma também, mas dessa vez não temos a participação de Mark nos vocais, o que a torna um pouco enjoativa.

Em seguida temos “Heart’s All Gone Interlude”, que é um intervalo entre as faixas, e ele também pode ser considerado como uma introdução a próxima canção, “Heart’s All Gone”. Esta música nos lembra um pouco mais o blink-182 de antigamente, porém com uma pitada da evolução do blink. Temos uma batida mais rápida, uma letra brincalhona, mas sem perder o lado sério. O interessante nesta música é que temos o Mark fazendo um belo solo de baixo, algo não tão comum na música atual.

Em seguida temos uma sequência de três músicas que podemos analisar de uma maneira geral. “Wishing Well”, “Kaleidoscope” e “This is Home” são músicas razoáveis, que tem o refrão e a melodia de fácil associação, além de serem músicas chicletes, que ficam na cabeça, mas nem por isso deixam de ser boas. “MH 4.18.2011″ é uma das faixas mais interessantes do álbum e uma das minhas preferidas. Mark tem um talento imenso para fazer músicas viciantes, com refrões fáceis e batida sensacional, além da voz do Tom ajudar muito, pois a voz dele fica na sua cabeça. “Love is Dangerous”, “Fighting the Gravity” e “Even If She Falls” são faixas mais experimentais, que tem letra e melodia nunca usadas pelo grupo, o que leva os fãs à estranharem um pouco, mas foi um belo jeito de fechar o CD.

Mark, Tom e Travis fizeram um excelente trabalho, principalmente para quem passou quase dez anos sem um CD de inéditas. É um álbum que pode agradar todos os gostos musicais, e é muito divertido de se ouvir. O blink-182 nunca foi uma banda de vocais guturais ou solos sensacionais de guitarra, porém o conjunto da obra, ainda mais com a excelente bateria do Travis Barker, faz um blink ser uma banda muito boa, com o último CD muito consistente.

Continue a ler

Almah – Motion (2011)

Origem: Brasil
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: Laser Company, AFM, Icarus, Victor JVC

Logo depois da apresentação “polémica” do Angra no Rock In Rio, Edu Falaschi lança o terceiro álbum do Almah, e se você parar e ouvir Motion, não vai ficar criticando o que Edu Falaschi fez ali ou aqui, porque lançou um ótimo disco.

Motion não é aquela coisa melódica que é o Angra, e menos melódico do que seu antecessor, Fragile Equality. E não sendo melódico, fica mais fácil para Edu cantar, sem ter que forçar tanto sua voz, resumindo, não é um álbum de power metal. As partes melosas estão presentes sim, muito evidente em muitos dos refrões, em que consiste músicas pesadas mas com o refrão mais levinho, as ótimas ‘Days Of The New’, ‘Bullets On The Altar’ e ‘Soul Alight’ mostram isso. Temos ainda as pesadas ‘Hypnotized’, ‘Zombies Dictator’ e ‘Trace Of Trait’, as agitadas ‘Living And Drifiting’ e ‘Daydream Lucidity’, e a banda manda bem em todas, fazendo você querer dá as famosas headbangueadas. Na parte das baladas foi aonde ficou menos sensacional, mas isso não é ruim, mas são canções na média, mesmo adorando ‘Late Night In ‘85’. A outra balada se chama ‘When And Why’, e ela fecha o disco, muitos criticam acabar um álbum com uma balada e falam que isso pode deixar o disco menos “rico”, mas a décima canção tem seus créditos, com um bom refrão, destaques para o próprio Edu.

Motion foi um dos melhores lançamentos de 2011 em minha opinião, e acho que muitos deveriam deixar de lado as declarações do Edu e ouvir o que ele fez musicalmente,  ao invés de dizer que somos chupa-ovos de gringo, ele poderia apenas dizer para ouvirmos o Motion, os argumentos seriam bem melhores.

Continue a ler