Desvalorização da crítica, até quando?

Eu faço parte de uma geração onde o alcance das coisas nunca esteve tão próximo, onde a tecnologia cada vez mais fica mais avançada, a informação vem em uma velocidade muito rápida e fica mais notável que quanto mais aprendemos, menos nós sabemos. Mas essa geração na qual eu pertenço, que por acaso se chama “Geração Z” (mesmo nome do péssimo álbum da banda Restart), é certamente a mais alienada, bitolada e preguiçosa de todas. É incompreensível eu conhecer diversos tipos de pessoas, sendo algumas importantíssimas para mim, e algumas delas tendo oportunidades de descobrir um conteúdo extremamente amplo, ainda mais com o poder que a internet tem, mas isto não acontece. A preguiça, a má vontade, o preconceito e a zona de conforto os impedem de conhecerem tantas coisas que se esse ser humano tentasse saber o que tem ali, é capaz de ele encontrar “uma nova paixão”. E isso não vale apenas para música, mas para filmes, séries, comidas, pessoas, esportes, programas de televisão, culturas, e entre outras coisas. Mas vamos ficar apenas na música, já que esse blog foi feito para isso, ok?

Mas o que mais me deixa estressado é a desvalorização da crítica. Tente criticar o ídolo de algum adolescente ou um retardado (lê-se fanático, ou melhor ainda, fã). Você será xingado no Twitter por um grupo de crianças sem personalidade durante um bom tempo, que parecem mais um bando de marionetes, fazendo tudo o que a sua querida  estrela quer ou precisa para que continue iluminada e que continue amando-os. As coisas pioram e ficam ainda mais vergonhosas quando eles resolvem argumentar com fortes palavras como “Você tem inveja!” e “Você não é imparcial!”, além de ofensas ridículas. Sinceramente, gastar seu tempo criticando algo por apenas inveja é de uma futilidade imensa. E sinto muito em lhe dizer, mas “imparcialidade em opinião” é inexistente. Toda crítica é gerada em opinião, ou seja, gosto. Você quando gosta de algo elogia, correto? E quando não gosta fala mau, não é? Ou você prefere dar uma resposta vazia como “sim” e “não”, ou “gostei” e “não gostei”? Não faz diferença alguma dependendo da criatura com que conversa. Ela pode dizer que te odeia ou te ama apenas por não gostar ou gostar do sujeito em questão.

Mas o cúmulo de tudo é quando esta frase é gerada e em seguida é proliferada: “Quem crítica faz melhor!” O que você achou do seu jantar? Achou ruim? Por quê? E o que você achou da novela? Não gostou? Acha que o autor da novela está se contradizendo? Acha a atuação estúpida? E da minha casa, o que achou da minha casa? Também não gostou? Qual o problema dela? Esse é o problema? Ok, que tal ver um jogo de futebol na minha televisão? Acha que esses jogadores são um lixo?…

Está vendo todas estas perguntas no parágrafo acima? Agora me diga, se você não gostou da comida, quer dizer que cozinha melhor? Se não gostou da novela por causa dos atores e do autor, quer dizer que você atua melhor que atores que ficaram anos estudando para poder estar ali e se diz capaz de escrever uma história melhor do que o autor e que duraria por quase um ano? Se não gostou da casa, quer dizer que você tem uma casa melhor? Se não acha os atletas de futebol bom o bastante, quer dizer que você faz melhor que eles que ficaram anos jogando bola para estarem ali? Você consegue entender meu ponto, caro leitor?

E o mais inacreditável, não são apenas os adolescentes que pronunciam tais babaquices. Adultos e até idosos cometem estas atrocidades e acham os senhores da razão, e com muito orgulho. É um povo babaca, senhoras e senhores, que cada dia que passa, domina o nosso mundo e nos trazem frases memoráveis ao ponto da vergonha alheia e até momentos visuais e auditivos, como este jovem do vídeo abaixo, que pelo que é visível para nós, ele tem uma “pequena” obsessão pela cantora norte-americana Pop, Lady Gaga.

Então, consegue refletir e quem sabe valorizar a crítica? Não sabe a importância da crítica, ou melhor dizendo, a importância de um crítico na sociedade? Um crítico é uma pessoa com um conhecimento cultural amplo e que vai analisar o sujeito em questão e que deve dar sua opinião sincera sobre o mesmo (isso pelo menos é o que chamo de um bom crítico) e ele vai ser como um intermediário entre você o sujeito analisado. O crítico te dirá se o sujeito é bom ou ruim e te dirá o porque. Suas únicas opções são: Ou você aceita os conselhos do crítico ou ignora. Mas uma dica mais do que pessoal: Se o crítico diz que aquilo não presta e você desconfia, confira por si mesmo, pois isso pode tornar-se seu artista/músico favorito. Mas no fim das contas, é tudo baseado em escolhas, e se você escolher em desvalorizar a crítica, você será ou continuará sendo um exemplo mais do que perfeito de babaca, de uma pessoa de mente fechada e que não tem aquilo que faria um bem enorme ter: senso crítico.

Bom pessoal, a proposta do Images & Words são as resenhas de discos, mas eu como fundador e administrador do blog quis trazer para você, meu caro leitor, um conteúdo mais diversificado, interessante e menos repetitivo. Nós iremos continuar com as resenhas, mas queremos sempre ter novas coisas para que seja lida. Espero que gostem!

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Richie Kotzen – 24 Hours (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock, Blues Rock
Gravadora: Headroom Inc.

Kotzen é um dos músicos mais extraordinários hoje em dia, sempre lançando ótimos trabalhos solos e sempre surpreendendo ao vivo, sendo que quase todo ano está vindo para o Brasil, nem se for apenas para fazer uma apresentação acústica em bares de São Paulo, mas vem. E fiquei muito ansioso pela espera do seu novo álbum, 24 Hours, ainda mais sabendo que o cara está sempre tentando melhorar, mesmo já tendo uma técninca incrível, tanto quanto na guitarra, baixo ou bateria, resumindo, ele é o show-man de todos seus trabalhos (exceção de suas participações em bandas como Poison e Mr. Big, mas mesmo assim era um dos cabeças pensantes dos grupos, sendo que foi ele que compôs Stand do Poison, maior sucesso do único álbum da banda de glam com Kotzen, e o maior sucesso de Actual Size do Mr. Big, Shine, sendo também o único álbum da banda com Kotzen). Continuando, isso me chamou a atenção porque fiquei sabendo que Kotzen, já um monstro da guitarra, abandonou a palheta, e estava fazendo apresentações pelo mundo que nem um maníaco distribuindo riffs e solos magníficos apenas com os dedos, e a ansiedade bateu mais forte ainda quando saiu o vídeo-clipe da faixa-título.

E falando sobre a faixa-título, ela que abre o álbum, e muito, mas muito bem. Uma das mais empolgantes do CD e o mini-solo da intro mostra isso, ainda possuindo uma base interessante de baixo, mas destaque para a guitarra e voz de Kotzen, que mostra que está com tudo, que solo! Help Me segue o álbum, e essa é uma daquelas típicas canções melosas do americano, não chega ser uma balada, mas grudenta. Segue o mesmo estilo de Stop Me, duas boas canções, com bons momentos como o solo de Stop Me e a versatilidade na voz de Kotzen em Help Me. OMG (What’s Your Name?) é talvez a minha faixa favorita de 24 Hours, aonde o baixo arrebenta e tem um refrão cativante, aonde eu me flagro o cantando o tempo inteiro. Outra que merece destaque é Get It On, Kotzen nos mostra aqui seu potencial nas linhas vocais, preste atenção, e deixe a voz desse cara te levar, vale a pena. Love Is Blind conta com a participação de Jerry Cantrell do Alice In Chains, e é outra ótima canção. A canção mais longa com 5:36 traz um excelente solo e um excelente final, com Jerry Cantrell dando seus berros. Ponto negativo fica por ela ser clichê, tanto quanto na letra quanto na parte cantada por Kotzen.

O baixo vem arrebentando outra vez, agora em Bad Situation, e o refrão também está muito bom, assim como a música em um todo, uma das mais difíceis de digerir do CD para mim, mas vale a pena forçar um pouco a mais. Agora temos a balada I Don’t Know Why, outra cativante, e bem bonita, mas a mensagem de músicas românticas do Kotzen continuam a mesma, clichê. Tell Me That It’s Easy tem ótimos mini-solos de Richie Kotzen, porém gostaria mais se ela não desse essa caída que quase faz ela se tornar uma balada, e ainda mais depois de I Don’t Know Why, você pode ficar até meio sonolento. Para fechar o excelente trabalho de Kotzen temos outra que dá para “viajar” legal, Twist Of Fate. Lembra bastante músicas de feriados, com aquela pegada bem calminha e que o destaque é a voz do músico, e também possui um excelente final, encerrando o CD de jeito belo.

24 Hours para mim é um dos melhores lançamentos de 2011, mostrando um músico inspirado e cheio de vida e empolgação por sua música, o que falta para muitos hoje em dia, uma pena é ver que canções tão boas e acessíveis não estão tocando em rádios ou em emissoras de TV como a MTV. Kotzen manda super bem outra vez, e pensar que sua técnica com o instrumento de 6 cordas está aumentando cada vez mais só pode me fazer mais feliz, e talvez você, se parar e ouvir este ótimo disco.

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