Black Tide – Post Mortem (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Heavy Metal
Gravadora: Interscope

É com essa capa de bosta que somos apresentados ao novo Black Tide. A banda tinha um som regado de influências clássicas do Heavy Metal, como Iron Maiden, em Light From Above de 2008, mas sem aquele costume de composições longas, de 7 e 8 minutos, por exemplo. Na época, a banda ganhou fama por possuir um nível técnico elevado para a idade do grupo. Todos os integrantes eram menores de 20 anos e faziam um som clássico, bem “old school” do Metal. Não era a mais original de todas as bandas, as vezes soava muito genérica, mas a banda tinha potencial elevado. Era tida como uma grande promessa e que traria aquela velha onda de volta do Metal e que tiraria bandas como Escape The Fate do mapa. O que aconteceu é que eles envelheceram e tiveram que entrar na nova onda para sobreviverem no mercado, nesse caso, a nova onda é o Metalcore, que muitas pessoas desaprovam, e outras aprovam com louvor, seja com ou sem razão.

Claro que o gênero teve e ainda tem boas bandas que são e foram consideradas do gênero (mesmo se não for Metalcore mesmo), como Trivium, Avenged Sevenfold, All That Remains, Bloodsimple e entre outras. A maioria das bandas que são boas são aquelas que não fazem aquele puro Metalcore, como As I Lay Dying. Elas (boas bandas) sempre trazem algo novo ou alguma outra influência para incrementar o som. Outras aproveitam que o movimento está fluindo bem e tentam pegar de carona para o sucesso, caso do Black Tide, banda formada em 2004 que agora é composta por Gabriel Garcia (vocais principais e guitarra principal), Austin Diaz (guitarra secundária vocais de apoio), Zakk Sandler (baixo e vocais de apoio) e Steven Spence (bateria e percussão), que no fim não acrescentam nada ao gênero e apenas desgasta ele, como aconteceu com o Power Metal, por exemplo, e lembrando claro que a mídia tem uma grande parcela para que um gênero vire chato. Isso não ocorre apenas no Metal, até na música Pop ocorre, não é verdade, banda Believe?

Enfim, vamos ao conteúdo. Post Mortem, segundo álbum da banda, possui 10 canções e uma duração de 43 minutos aproximadamente. Começa com “Ashes”, faixa que possui participação especial do vocalista do Bullet For My Valentine, Matt Tuck, e de certa forma um dos responsáveis pela mudança do som do Black Tide. Na turnê do Fever, o Bullet teve como banda de abertura o Black Tide. Aí você percebe a influência. Falando em Matt Tuck, sua participação em “Ashes” chega a ser ridícula e desnecessária. Sua falsa agressividade e sua voz conseguem deixar uma faixa de Metalcore genérica ainda pior. Volte para sua bandinha e nunca mais saia de lá. Antes de pularmos para a próxima canção, “Ashes” possui uma introdução bacana e que com o som genérico já citado deixa as coisas piores. É um começo sem criatividade mas com energia, pelo menos isso de positivo na música da banda de Gabriel Garcia e companhia.

Segunda faixa, “Bury Me”, não possui participação especial (nem nas faixas posteriores). Foi o primeiro single do disco a ser lançado e é bem forte no seu refrão. Se ignorarmos que “Ashes” é o início do disco, “Bury Me” é uma boa canção para começar o álbum. Linhas de bateria e baixo são bem “cavalas”, se assim posso dizer. “Let It Out” é uma semi-balada, bem adocicada, porém com o decorrer dela ganha um certo peso. Típica música que está ali para que as meninas se apaixonem pela banda passando uma mensagem positiva. Em “Honest Eyes” e “That Fire” tem aquele peso sem ser excessivo e de fácil assimilação, sendo “Honest Eyes” mais comum e pesada, enquanto “That Fire”, terceiro single do álbum, é aquela música que dá um saldo positivo no geral. “Fight Til The Bitter End” pode ser dividida em duas partes: A primeira parte que seria perfeita para uma versão Metal do Backstreet Boys e a segunda parte que é uma versão Metal do KLB. É uma balada, então as comparações são justas. Então temos “Take It Easy”, que pode ser classificada junto com “Honest Eyes” e “That Fire”. Uma música bacaninha, nada de especial, e tem alguns riffs meio embolados e irritantes.

Em “Lost In The Sound” temos o pior solo do álbum inteiro. Temos vários solos aqui, e todos são de boa qualidade, então não senti necessidade de falar deles, mas “Lost In The Sound” tem uma fritação feia e de um péssimo gosto. E estranhamente faz jus ao nome da canção que não sai do mesmo. A nona canção (já está quase no fim) é o segundo single do disco, “Walking Dead Man”, além de ter a melhor introdução no álbum inteiro (além de ser a mais “assustadora”), é a música mais interessante do disco e uma das pesadas e já começa com solo de guitarra logo no começo. Boa faixa. E para encerrar, temos uma piada. “Into The Sky” é uma típica balada de Hard Rock onde a banda consegue estragar a canção. Ela até o segundo refrão é uma balada acústica e até aí tudo bem, estava boa, então do nada a música evolui em algo extremamente estranho, inesperado, e principalmente, sem sentido algum e que facilmente estaria na trilha sonora de Rei Leão, ou no caso, Rei Emo, devido a uma letra tosca. Aqui é notável a incapacidade de Gabriel Garcia nas linhas vocais, não conseguindo encaixar na transformação absurda, que no fim nem deveria existir. É assim termina Post Mortem. Foram ao banheiro, fizeram merda e esqueceram de limpar a bunda.

Em resumo, Black Tide, uma banda com potencial para mudar a atualidade, decide não mudar a atualidade e sim fazer parte dela. Com este disco de gosto duvidoso, é visível a falta de capacidade do grupo em ter sua própria identidade. Claro, mudar o som de disco para disco é sempre bom, mas mudanças drásticas e que só ocorrem para que o grupo fique na moda é ridículo. É também ridículo uma banda se manter na zona do conforto e produzir as mesmas coisas de sempre apenas para enriquecer, caso do AC/DC e de bandas sem criatividade, como o já citado As I Lay Dying (se bem que isso é até natural e aceitável). E as vezes quando mudam, só vem lixo, como o Metallica fez no disco mais detestado da discografia do grupo, St. Anger. As mudanças devem ocorrer não só para trazer algo novo aos fãs, mas para o artista em si, para que ele fique renovado e muito mais amplo no meio musical e principalmente, ele tem que querer mudar e sentir agradado com a mudança feita, ou seja, o artista tem que se agradar, e não agradar os fãs. Para encerrar essa longa resenha, resta apenas uma dúvida: Quando lançarem o gênero Industrial Metalcore ou qualquer outra coisa, Black Tide vai correr o risco de tentar fazer parte dele? Provavelmente sim.

1 – Ashes

2 – Bury Me

3 – Let It Out

4- Honest Eyes

5 – That Fire

6 – Fight Til The Bitter End

7 – Take It Easy

8 – Lost In The Sound

[vimeo 35997347]

9 – Walking Dead Man

10 – Into The Sky

3 pensamentos sobre “Black Tide – Post Mortem (2011)

  1. Pingback: Black Tide – Al Cielo EP (2011) « Images & Words

  2. Vai se tratar Senna, esse CD é foda. Se vai pegar um CD bom pra esculachar no seu blog, escolha um q faz o seu estilo e n venha criticar um CD bom pq VOCÊ tem mau gosto!

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