Grand Funk Railroad – E Pluribus Funk (1971)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Funk Rock, Hard Rock
Gravadora: Capitol

O Grand Funk é uma das melhores bandas que eu já ouvi e uma das mais talentosas também, claro. A técnica do trio era espantoso, Don Brewer fazia vocais de fundo incríveis e arrancava cada groove de sua batera que só para “piorar” mais ainda tinha o incrível e um dos meus baixistas favoritos, Mel Schacher ao seu lado completando a cozinha do grupo. A banda era um trio, e o seu homem de frente era o genial Mark Farner com sua guitarra muito apurada, tirava cada solo! E também era o encarregado pelos vocais do grupo, e sem esquecer que “brincava” de tocar gaita também, sendo que ao vivo virava uma maravilha, um exemplo é Inside Looking Out ao vivo em 1969, aonde a banda toda manda super bem, e eles tinham apenas 18/20 anos! E claro, Farner também era a “cabeça pensante” do grupo, escrevendo todas as canções, qual é o caso de E Pluribus Funk. Que mesmo sendo o quinto álbum de estúdio da banda, era apenas o terceiro ano desde a estreia de seu primeiro disco.

Não quero enrolar muito, mas essa historia é obrigatória se você curte um bom rock n’ roll: Grand Funk foi a “salvação” da época da música do Estados Unidos, sendo que na época a música Britânica dominava o mundo, e o povo estadunidense não tinha aquela banda na qual se apoiasse (e todos sabem como eles são patriotas). Eis que surgiu o Grand Funk Railroad, uma banda que sabia mexer com o público e seguindo o estilo patriota, eram uma banda de funk rock! Sendo que o funk foi um estilo apurado no EUA. Ai foi que caíram na graça do país inteiro, até que em uma oportunidade, quando o gigante chamado Led Zeppelin foi se apresentar em Detroit e o trio da América abriram para os ingleses. Isso mesmo, em Detroit, a cidade que o funk nasceu e cresceu, resumindo: O Grand Funk estava em casa! O público ficou muito, mas muito animado em ver o trio arrebentar ao vivo, que por causa disso, o empresário do Led, um idiota chamado Peter Grant, desligou a energia do show e pediu/ameaçou para Terry Knight (empresário do Grand Funk) que sua banda saísse do palco. Terry entrou no palco e disse “O Led Zeppelin está com medo do Grand Funk Railroad!”. O público vaiou, a banda deixou o palco aplaudida pelos presentes, e quando o Led entrou para fazer sua apresentação, a metade das pessoas já tinham ido embora!

Agora que você já sabe a empolgação que a banda proporcionava na época, vamos ao um dos seus grandes álbuns, considerados por muito o melhor disco dos caras (mas mesmo assim isso varia muito, mesmo). E Pluribus Funk tem uma bela capa em forma de moeda, algo único na época dos vinils, e o seu nome foi tirado do lema do seu país (mostrando outro ponto patriotismo) E Pluribus Unum, que significa “De todos, um”, então ficaria “De todos, Funk”.

É um classicão, da primeira a sétima (última) faixa. Foot Stompin’ Music começa empolgante com todos se destacando, mas principalmente o monstruoso baixo de Mel Schacher, mas não podemos esquecer algumas “metralhadas” que Don faz na sua bateria. People Let’s Stop The War tem um som típico de anos 60, ou do funk mesmo, com um refrão que lembra isso perfeitamente, para variar, grande trabalho de todos novamente. Seguindo no mesmo estilo temos a sua sucessora, Upsetter. É uma das que eu mais gostei do E Pluribus Funk, bem divertida e empolgante, com Farner mandando ver nos vocais, e esse refrão é tão relaxante que eu viajo lindo! E vou ficar repetitivo: outra linha de invejar de Don e de Mel. Duas que demorei a digerir foram a dobradinha I Come Tumblin’ e Save The Land. A primeira depois de prestar mais atenção eu me rendi ao seu talento, instrumental muito entrosado com outra linha sensacional de baixo, mas a guitarra e a bateria tá ali também (e como). Save The Land é uma música alegre, mas talvez por causa do refrão um pouquinho arrastado me afastou um pouco dela nas primeiras audições, mas assim como I Come Tumblin’, ela me conquistou e eu adoro ela, e aliás, grande refrão!

As duas últimas faixas fecham com classe esse grande disco. No Lies é uma das melhores do álbum. Farner abusa dos seus agudos e da sua guitarra, incrível é pouco para descrever essa fusão de agudos com esse magnífico solo, sem palavras. Encerramos com a maravilhosa Loneliness, a mais comprida com seus 8 minutos e 47 segundos. Ela é linda, a letra fala de solidão como diz o nome, mas não só isso, ela fala um pouco como a Terra é maravilhosa e temos que ter esperanças de melhorar o mundo, de não deixar ele morrer. Começo mais relaxante, e a música vai tendo sua “pegada” mesmo depois do refrão, que entra aquele feeling que mexe com você. De novo os agudos de Farner estão ótimos, algo que causa calafrios. Depois de nosso frontman usar todo sue talento vocal, a canção fica leve outra vez, até Farner voltar junto com Mel e Don ao seu redor, e a voz e a guitarra de Mark é o destaque, a canção acaba com um clima bem épico, perfeita para o encerramento, umas das baladas (se podemos classificar Loneliness como tal) mais lindas que eu já tive o privilégio de ouvir, sem duvidas.

Uma pena que a banda não teve todo o reconhecimento que merecia depois de seus “15 minutos”, E Pluribus Funk é tão clássico quanto um disco do Led Zeppelin, e se você já olhou torto depois da comparação, ouça esta maravilha com vontade e depois comente!

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