Bloodsimple – A Cruel World (2005)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise

Em seu álbum de estreia, A Cruel World, Bloodsimple se mostra uma banda com um conteúdo lírico de certa pesado, com letras que envolve temas como guerra, falhas em relacionamentos (apesar de não ser tão pesado o tema), paranoia e vício em drogas. Mas tem muito peso no som do grupo composto por Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista), Kyle Sanders (baixista) e Chris Hamilton (baterista). Mas tem alguns defeitos e erros, que veremos logo abaixo.

Começamos com uma introdução que começa baixa e vira bem barulhenta e atmosférica e então temos uma tremenda porrada caótica, sussurros de Tim e até ouvirmos seus gritos raivosos, e que raiva! E não é só a voz do homem, mas a música possui uma energia pesada, um ódio que está bem visível no nome da faixa, “Straight Hate”. Excelente começo, sendo a faixa mais longa, com 4 minutos e 46 segundos. “Path To Prevail” é emendada a faixa anterior e continua com o peso da anterior, Tim berra como se fosse morrer no outro dia. Riffs poderosos nos cercam unidos a um baixo potente e uma bateria grave e com muita presença. Seguimos com “What If I Lost It”, e aqui Tim Williams se mostra mais versátil, e não é do tipo “apenas grito e berro no microfone”. A música aqui é mais fácil de grudar que as duas anteriores, mas mantém o peso e a criatividade nas músicas. “Blood In Blood Out” é a faixa mais curta do álbum, com 2 minutos e 20 segundos de duração. Música não é das melhores do álbum, mas é empolgante e muito boa para “balançar a cabeça”, assim como as outras anteriores. Destaques para os riffs atmosféricos e pela falta de solos de guitarra ou de qualquer outro instrumento nas faixas anteriores (e posteriores também), mostrando que a banda não precisa de solos e dando preferência a atmosfera.

Então temos a primeira música que soa comercial do álbum, “Sell Me Out”. Tim aqui soa versátil mas, por incrível que pareça, soa como se cantasse no banheiro, mas não deixa de ser um bom vocalista. Como é relatado lá em cima, a atmosfera é o que prevalece, mas honestamente, nessa faixa um solo cairia muito bem. Em seguida temos um momento bem depressivo, uma “balada de macho” chamada “The Leaving Song”. Possui uma harmonia bacana e arranjos bonitos até seu refrão forte e de certa forma impactante. Boa balada. A partir daqui a banda parece que perde sua criatividade, infelizmente. “Running From Nothing” tem uma construção parecida com sua antecessora, mas um refrão muito mais forte e pesado e um começo mais Metal, até sermos encontrados pela interpretação arrastada de Tim Williams e recebermos seus “queridos” berros no já citado forte refrão. Após a segunda repetição do refrão, temos um Tim ainda mais raivoso, com riffs igualmente irritados. Faixa muito potente com um final de arrepiar com o vocalista gritando por mais de 30 segundos! Com certeza deve ter edição de estúdio, mas não deixa de ser impressionante. Apesar de não tão espetacular como as outras, é uma das minhas favoritas pela raiva passada pela banda, que é algo que eu sinto que falta em muitas bandas onde o vocalista berra e grita, como Phil Anselmo do Pantera.

“Cruel World” tem riffs bacanas e a base da canção é bem interessante. A faixa-título, apesar de ser pesada, ela gruda na sua cabeça no seu refrão. Tem uma passagem em sua metade muito desinteressante e desnecessária que diminui a energia da música. Uma pena, pois ela estava ficando interessante. O refrão salva. Temos mais uma depressão, “Flatlined”. É uma faixa interessante pelos detalhes e chata na sua primeira metade. Tem alguns riffs bem simples e que me lembram do Blues e até um pouco de Country na sua influência, até que após o segundo refrão recebermos o retorno do peso das faixas anteriores, que aqui não é dos mais incríveis e originais. Temos quase um solo de guitarra, mas que na verdade é o tema principal da faixa. Faixa mediana. “Falling Backwards” começa com uma porrada na cara, sem mais nem menos e chega a ter semelhanças a uma música de Punk Rock, mas com mais técnica. Das faixas pesadas, é a menos interessante e menos “legal”, se assim posso dizer. Nada muito original aqui, mas o peso é fulminante. Para encerrar, temos “Plunder”, outra balada que tem parentesco musical com “The Leaving Song”. Tem uma harmonia e arranjos bem tristes e com um violão que percorre, aqui a voz de Tim não é das mais agradáveis, pois o cara é melhor no grito, mas não quer dizer que ele canta mal e interpreta igualmente mal, mas é que a voz não é das mais bonitas e fáceis de digerir, como Geddy Lee do lendário trio canadense Rush. É um fim pobre e chato, mesmo havendo uma pequena progressão no som, onde a banda volta a tona, mas não impressiona e chega a ser previsível. E é com um final depressivo que facilmente lembra o Hard Rock que encerramos o álbum.

Para concluirmos, Bloodsimple fez um disco bacana com um excelente começo e que vai perdendo peso e criatividade em detrimento das melodias, arranjos e harmonias depressivas. É um bom álbum com um excelente conteúdo lírico, mas que enfraquece e deixa a desejar. Mas, apesar dos pesares, é uma banda de Metalcore que arriscou em algo diferente, que soa novo e velho ao mesmo tempo. É estranho, mas o respeito é totalmente merecido ao quinteto norte-americano. A Cruel World é uma boa estreia que no futuro viria um disco ainda melhor, Red Harvest de 2008.

3 pensamentos sobre “Bloodsimple – A Cruel World (2005)

  1. Ótima resenha, Sennoca *-* Ainda mais resenhando um disco de metalcore, o que eu acho muito difícil.

    Sobre o disco, eu ouvi uma música e achei bem foda também a agressividade do vocalista, e a comparação com o Phil é impossível não fazer quando o assunto é esse (gritar com sentimento, raiva) xD

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