Nightwish – Imaginaerum (2011)

Origem: Finlândia
Gênero: Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

Imaginaerum é o segundo álbum do grupo filandês com a vocalista Anette Olzon, sucedendo o sexto álbum de estúdio da banda, Dark Passion Play, de 2007. No disco anterior muitas críticas vieram, a maioria pela escolha de Anette para substituir a “Semi-Deusa” Tarja Turunen. O endeusamento encima da vocalista anterior era algo fora do normal, como se ela fosse a melhor vocalista do mundo, e isso prejudicou de certa forma a divulgação do disco. Mas deixando os fãs truezão de lado, já que em Dark Passion Play Anette mostrou ser uma grande vocalista, e até mais versátil que a Tarja. Agora falando sobre o Imaginaerum, Tuomas Holopainen (teclado, sintetizadores e a cabeça pensante dentro da banda, sendo o cara que compõe tudo), Anette Olzon (vocais), Emppu Vuorinem (guitarra), Marco Hietala (baixo e vocais) e Jukka Nevalainen (bateria e percussão) lançam um álbum conceitual, seguindo o estilo do filme de mesmo nome que será lançado esse ano. O filme é sobre um velho no leito de morte, que vislumbra um sonho de infância em que ele se recusa a envelhecer, e combate o envelhecimento com a sua própria imaginação. Agora sem mais delongas, vamos ao que importa.

Taikatalvi abre o disco, uma intro de 2 minutos e 35 segundos, é calminha e tem influências folk, ela consiste em uma “tela para a nossa imaginação” como disse Tuomas, e a sua tradução quer dizer Magia do Inverno. Boa intro para começar algo “mágico”, e seguimos com a primeira single, Storytime. A segunda faixa é uma das mais acessíveis do álbum, com um refrão a lá radio. Ela começa todo o conto, mostrando que a imaginação é o núcleo da humanidade. Gostei da canção, simples, já que se trata de uma single. Ghost River é uma das minhas favoritas, a letra dela não é muita clara, então vamos ficar com a explicação de Tuomas: “VIDA é um privilégio supremo, um rio cheio de maravilhas e horrores. Amor, tristeza, beleza, maldade e tentações. Precisamos de todos eles para sobreviver a jornada. Bem, mal, dor e prazer – membros um dos outros.” Sobre a canção, o que faz eu gostar tanto dela é a interpretação vocal de Marco Hietala e ainda mais de Anette Olzon (principalmente no pré-refrão), que se em Dark Passion Play já demonstrou um pouco, em Imaginaerum mostra de vez que é mais versátil que Tarja.

A quarta faixa é Slow Love Slow, fala que o amor não precisa de palavras ou promessas, um território sem palavras, desde que seja verdadeiro. Com influências da música soul e um pouco de jazz, principalmente na voz de Anette, é uma canção diferente, é isso o que eu posso dizer, só a ouvindo para entender. A intenção dela é ótima, com grandes misturas, com um tom épico e mágico com blues e jazz, ao desenrolar ela vai ficando melhor ainda, não chega ser algo acima da média, mas que é diferente isso não tem dúvidas, outro grande trabalho de Tuomas (pela composição) e de Anette (pela voz poderosa). I Want My Tears Back é a próxima, uma das queridinhas dos fãs, diz sobre ainda ser possível ter alguma coisa do passado. O riff inicial lembra muito Symphony Of Destruction do Megadeth, e essa foi uma das que eu tive mais problemas para a digerir legal, principalmente porque é uma música muito a cara do Nightwish (deve ser esse o motivo para os fãs gostarem tanto), e isso não é bom para mim, soa que a própria banda se copiou, ou que se reciclou. Mas a ouvindo melhor, é uma música de regular para boa, bem animada e destaque para o instrumental folk dela.

Scaretale é outra carta da manga do álbum, assim como Slow, Love, Slow. Como o nome diz, ela fala sobre um conto de horrores, tentando levar a sensação na música de pesadelos que tivemos na infância, outra intenção muito boa, mesmo. Destaques para a aula de interpretação de Anette e Marco. Anette mostra outra vez, a grande vocalista que é, mas para mim o instrumental deixou a desejar, tirando algumas partes que dá mesmo a sensação de um “pesadelo”, ao estilo O Estranho Mundo de Jack, a canção se encaixaria perfeitamente na trilha sonora do filme de Tim Burton. No final ela pega o jeito metal sinfônico da banda e acaba, outra canção que chega a ser diferente, e para algo infantil seria ótimo, faltou criatividade musical, mas outra boa faixa, principalmente pelos vocais que valem a pena a ouvir. Arabesque é uma faixa curta e instrumental, e Tuomas diz que ela é “A purificação para um pesadelo. Dar a luz através da dança da morte.” Bom… para mim poderia ser retirada facilmente do álbum, a mais fraca das faixas e que não demonstra o que o tecladista diz, tentar acabar Scaretale com um final mais tenebroso seria bem melhor. Turn Loose The Mermaids é a oitava faixa. A letra é sobre o avô de Tuomas, que ele disse que foi uma das experiências mais emocionantes da vida dele (ver o avô morrer), e sobre a vida, imaginação e beleza. Outra no estilo folk e com um clíma interessante, um refrão calmo e bonito, gosto bastante dela.

Rest Calm diz sobre as memórias, e que elas sempre permanecerá com você, até que você morra, “Fique ao meu lado até que escureça para sempre.” Eu adorei a letra, e a faixa também, outro refrão calmo e cativante. Ela é uma das mais longas do álbum com 7 minutos e mesmo sendo um pouco longa ela não fica chata ou entediante (claro, se você não a achou chata no começo), com revezamentos bem legais no refrão. The Crow, The Owl And The Dove é a próxima, e é sobre um poema de Henry David Thoreau: “Ao invés de amor, dinheiro, fama, dai-me a verdade”. É uma canção simples, porém bela, nada extraordinário mas que você possa acabar a ouvindo muito, ainda mais se você tiver em um momento “deprê” (testado e aprovado). Destaque para Marco cantando o verso “Gar tuht river – Ger te rheged” em finlandês. Last Ride Of The Day, como o nome já diz, é o último passeio do dia “O parque temático está prestes a fechar, mas a montanha-russa vai funcionar uma última vez e você tem que pegar a última viagem sozinho.” É o que Tuomas diz. Ela é agitada e gostosa de se ouvir, outra que é querida pelos fãs, boa faixa, mas não é uma das melhores do disco para mim.

Agora chegamos na penúltima e mais longa faixa, Song Of Myself com seus 13 minutos e 30 segundos. Ela é dividida em quatro partes: From A Dusty Bookshelf, All That Great Heart Lying Still, Piano Black e Love. Song Of Myself é uma homenagem ao poeta Walt Whitman, que tem um poema com o mesmo nome desta canção. A Dusty Bookshelf é uma intro instrumental, nada de mais. All That Great Heart Lying tem como destaque novamente Anette. É uma parte que mostra bem o que é o Nightwish, com seu ar “épico”. Piano Black é a parte mais arrastada da canção, não tão pela música (que diminui o ritmo também), mas pela voz de Anette, que abaixa de tom. Ela volta ao refrão de All That Great Heart Lying, até os 7 minutos, que começa Love, a melhor parte, consiste em citações e poemas de Walt Whitman, abra alguma página com a tradução da canção e a acompanhe, emociona de verdade, a melhor do disco! Depois desse “final” que seria perfeito, ainda tem mais uma música, e é a faixa-título, ela é instrumental e possuí um pouquinho de cada faixa anterior, tornando algo interessante, mas não original, poderia ter ela no começo ou como penúltima, só sei que Song Of Myself é a melhor faixa do disco e a mais emocionante, e que merecia encerrar o disco. Mesmo com esse erro, não dá dizer que é uma má faixa, ainda mais eu, que adoro essas “reprises”.

Imaginaerum foi algo feito para você se divertir e “viajar” com sua imaginação e pensamentos, a ídeia é muito boa, e o álbum é bom, a criatividade musical que Tuomas teve foi algo na média e como grande músico que ele é, esperava um pouco mais. Mas como disse, é algo divertido e que dá para você se jogar de cabeça legal no novo disco do Nightwish, vale a pena pela imaginação!

2 pensamentos sobre “Nightwish – Imaginaerum (2011)

  1. Outra ótima resenha, Mateus! Tá melhorando! Aqui já foi mais extenso e mais amplo, tendo mais detalhes interessantes, que melhorou se compararmos com a sua do AC/DC.

    Sobre o disco: Bem bacana e épico. O tipo de vocal não faz meu estilo e acaba me afastando, mas o som é incrível. Vale a pena se você gosta de um Metal Épico com vozes femininas com destaque.

  2. Valeu de novo, seu limdaum *___*

    E o álbum mesmo tendo suas limitações técnicas, é inevitável a mágica ao redor dele, o que faz vc poder viajar lindo nele, gosti bastante o/

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