Alter Bridge – Blackbird (2007)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hard Rock, Rock Alternativo, Pós-Grunge
Gravadora: Universal Republic

O Alter Bridge sem dúvidas está no topo entre as melhores bandas de rock que surgiram na década passada. A banda mistura principalmente o Hard Rock com vários elementos do Rock Alternativo, e um pouco do post-grunge (mesmo sendo totalmente contrário ao anti-solo do Nirvana) graças a influência do Creed (banda que todos os membros tirando o vocalista eram), mesmo sendo muito superior à banda de Scott Stapp. A banda é ainda formada por Myles Kennedy (vocal, guitarra base), Mark Tremonti (guitarra solo), Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria).

O encarte do CD é belo, desde as letras, o fundo, até a imagem de uma mulher com uma pássaro negro sobre sua mão (referência ao Blackbird). Liricamente, o CD mostra grande evolução se comparado com o anterior (One Day Remains), que transitava entre letras sem sentido e boas. Os temas agora são mais obscuros e surpreendem até pela sonoridade da banda. A banda se divide em duas: a parte mais genial e a mais competente. O baixista Brian Marshall e o baterista Scott Phillips são o lado competente, pois cumprem bem o seu papel, mesmo não tendo grande destaque. Já do lado genial, o vocalista Myles Kennedy mostra porque quase entrou para o Led Zeppelin no lugar do Robert Plant, um dos melhores vocalistas dessa época. Já Mark Tremonti é um guitarrista espetacular, desvalorizado por causa do Creed, mas que é um solo-maníaco. Sem contar que a dupla faz ótimos riffs.

O CD já começa com a porrada do disco, Ties That Bind, que flerta entre o Metal em boa parte da música e o Hard Rock durante o refrão. Os riffs são empolgantes e Scott detona aqui. Pra terminar, uma solo empolgante pra terminar a faixa com tudo. Ela fala sobre quebrar laços que prendem a outra pessoa, e ter sua liberdade. Em seguida, o peso continua com Come To Life, dessa vez indo somente pro lado do Hard Rock. Ela de forma empolgante fala de liberdade e superação. Scott continua mandando bem na bateria, enquanto Mark usa bem demais as distorções, principalmente para finalizar a música. O solo é empolgante, quase quanto o refrão.

A seguinte é Brand New Star, que fala sobre recomeço e superação junto de alguém. A música começa com belos acordes e abusa da bela voz de Kennedy, não apenas no refrão. A próxima é Buried Alive, que é talvez a mais obscura liricamente do disco, falando sobre alguém que se sente enterrado vivo e quer sair dessa situação. Ela começa com riff sensacional, depois varia entre bons riffs, um pré-refrão calmo e o refrão em si, empolgante. Mais um baita solo pra finalizar. A seguinte é Coming Home, com um “clima” um pouco diferente do restante, sendo um pouco mais cadenciada. Ela fala sobre a desilusão desse mundo e querer voltar para casa, para se aliviar. Nessa, os destaques são Scott, que ajuda a dar um peso bem maior à faixa e como sempre, Myles empolgante e abusando da sua voz.

A próxima é Before Tomorrow Comes, que parece ser uma continuação mais leve de Brand New Start, por se combinarem bastante. Fala sobre podem fazer mudanças sobre o que está errado e ninguém se importa. Aqui Tremonti mostra que além de ser um guitarrista excelente, é um excelente Backing Vocal, tendo uma grande harmonia com a voz de Kennedy. Destaque absoluto para Myles, que mostra grande habilidade em alcançar variados níveis vocais. A próxima é provavelmente a música mais empolgante do disco, Rise Today. Ela fala sobre mudar o mundo com suas atitudes. Música com refrão e solos excelentes, seria perfeita pra fazer sucesso décadas atrás.

A oitava é Blackbird, a obra-prima não apenas do disco, mas sim de toda a carreira da banda, e provavelmente isso não deve mudar. Ela fala de um pássaro, que deve voar para longe para não sofrer mais. Ao se escutar a música, é fácil reparar a grande influência do Led Zeppelin. A música se mantém calma e vai “crescendo” conforme vai se aproximando do refrão. Os quatro integrantes mostram dominar bem seus instrumentos, principalmente a dupla de guitarristas, que fazem um dos melhores solos já feitos. Myles alcança o seu auge no CD aqui, dando inveja pra praticamente qualquer vocalista com a técnica, beleza e alcance de sua voz. Bela, profunda, empolgante, técnica, sem dúvidas as músicas desse disco são muito boas, mas Blackbird chega à outro patamar, algo mais próximo de Starway To Heaven e Kashmir. A seguinte é One By One, invertendo a complexidade da música anterior para algo mais simples, que consegue ser leve e pesada ao mesmo tempo, e como sempre, refrão empolgante. Ela é junto de Buried Alive, a mais obscura do álbum, falando sobre medo e falhar.

A seguinte é a balada do disco, a bela Watch Over You, que fez sucesso no Celebrity Rehab do Dr Drew, programa famosa nos Estados Unidos para tratamento de famosos. A música lida com a dependência e a frustração de ser incapaz de ajudar alguém que se recusa ajudar a si mesmo. A música pode desagradar alguns simplesmente por ser uma balada (portanto, mais simples), mas é uma música muito bem composta onde Phillips e Tremonti empolgam. E sobre Myles, não tem como decidir se ele é melhor nas músicas mais pesadas ou nas baladas, vai bem em tudo. A décima primeira é mais simples e a mais acessível depois de Watch Over You, Break Me Down. Ela fala sobre alguém te faz mal e te põe pra baixo. O destaque sem dúvidas é o refrão e dramaticidade de Myles no minuto final.

A próxima é White Knuckles, que varia entre o peso em grande parte da música e um refrão mais empolgante, mas não consegue ser grudento. Ela fala sobre ser forte e aguentar as provações da vida. A próxima é uma das melhores e última da versão simples do disco, Wayward One. Ela fala alguns que são teimosos e insistem nos erros que destroem tudo à sua volta, e sobre como as coisas podem ser resolvidas. Ela começa bela, se mantém assim e tem talvez o melhor refrão do disco, e vai se tornando maior e agressiva conforme vai passando a música, terminando com um solo sensacional. Além das 13 faixas oficiais, o cd tem versões com algumas músicas bônus, We Don´t Care About All, New Way To Live e The Damage Done, são boas faixas, mas do nível do álbum se destaca apenas New Way To Live, que lembra muito a proposta do primeiro CD (One Day Remains).

Enquanto o disco anterior tinham mais músicas românticas e uma sonoridade mais parecida com a do Creed, Blackbird é um pouco menos acessível mas muito mais pesado, obscuro e técnico. Em todos os sentidos a banda é muito competente, mas sem dúvidas o vocal espetacular de Kennedy e o nível altíssimo do que Mark faz com a guitarra, principalmente nos solos, faz de Blackbird não apenas provalvemente o melhor CD que o Alter Bridge já lançou e irá lançar, mas também como sério candidato à melhor CD da década. Quem disse que rock de qualidade não pode ser acessível?

9 pensamentos sobre “Alter Bridge – Blackbird (2007)

  1. Ótima analise (Senna maldito, agora o WI tem que dividir um dos melhores colunistas que tem ¬¬ xD), esse é o álbum que eu mais gosto do Alter Bridge porque acho que fica no meio termo, o One Day Remains é muito meloso, o AB III muito obscuro e esse é exatamente o ponto de equilíbrio.

    Blackbird é uma obra-prima realmente, ainda mais que tem história verdadeira por trás da letra (Pra quem não sabe, o Myles compôs em homenagem a um amigo dele que estava em estado terminal e só queria “se libertar e voar” por assim dizer) e sem contar que o vocal do Myles é simplesmente ultra fodástico.

    Aliás LK, gostei muito do fato de você ter comentado do que se trata as músicas ao invés de só ficar na parte musical e também só avisar que tem uns errinhos de digitação nos nomes das músicas (Beyond Ties That BAnd e Brand New Star são as únicas que eu notei que estavam erradas), de resto, continue com isso de comentar a letra e o tema da música também que tá foda *-*

    • Maldito é você, o Frengol e o WI. Eu conheço o LK melhor e principalmente, ANTES de vocês saberem quem era ele. Agora xiu!😛

      • Tá bom, se vc diz que conhece ele melhor do que a gente… Tsc, tsc, sempre se entregando hein Senna? xD

  2. Então, eu ouvi o disco pra ter certeza que você não estava exagerando em certos aspectos como: “O Alter Bridge sem dúvidas está no topo entre as melhores bandas de rock que surgiram na década passada.” Sinceramente, como uma banda muda tanto com apenas uma mudança de integrante e se torna umas das melhores da década passada? Só mudou o vocalista do Creed pro Alter Bridge, que aliás canta melhor e toca guitarra, o que é bom, mas mesmo assim não tem tanta diferença ao ponto de ser colocada nesse nível! E agora eu farei uma mini-resenha do disco nos comentários! Resumido, claro!😛

    O disco achei de certa forma sem muita originalidade. Não tem nada de novo aqui. Tem muito destaque as guitarras, mas um baixo apagado (tirando alguns momentos como no começo de “Come To Life”) e uma linha de bateria abaixo do esperado e com um timbre comum (idem ao baixo) deixa a desejar. Myles é um bom vocalista, melhor que o Scott Stapp, mas honestamente, ele não é tudo isso. Ele peca na interpretação (que realmente diferencia na intro de “Rise Today” e em “Blackbird”, nas faixas restante soa padrão) e ele é muito previsível, assim como a banda toda. Você sabe que aquilo virá em cheio, e o pior é que não ultrapassa as expectativas, fica naquilo que você imaginou, exceto se você é fã da banda no One Day Remains e não esperava esse peso do disco. Tem alguns momentos incríveis como o solo de “Blackbird”, que além de ser a melhor faixa, deveria ser o encerramento do álbum (outro ponto negativo, má organização das faixas), e outros momentos que lembram Creed, como em “Before Tomorrow Comes”. “Wayward One” é um encerramento indevido e fraco, ainda mais tendo uma música como a faixa-título de quase 8 minutos, e mesmo sendo ela poderosa, não dá por no patamar de “Kashmir” e de “Starway To Heaven”, infelizmente.

    Para encerrar… É um bom disco e até acessível, melhor que o 1° e o talvez melhor que 3° (que eu preciso ouvir melhor) e um pouco mais difícil de digerir, mas na segunda ou terceira audição dá para definir as coisas como “boa, não é boa, foda, …” e como já disse, bem previsível e não é muito original. Tem coisas melhores e não é, repito, NÃO É um dos melhores lançamentos da década passada, seja liricamente ou musicalmente.

    Nota: ***1/2

  3. É um bom álbum, tem músicas q eu gosto bastante como Ties That Blind, Come to Life, Coming Home, Rise Today…

    E sobre Blackbird(a música), é a melhor do CD. Ela é bem legal msm e trás momentos empolgantes, e eu entendi que você disse que Blackbird chega perto, e não que é o mesmo nível dessas duas músicas do Led, e o que eu posso dizer sobre isso é que não tem, e NUNCA terá algo parecido com Kashmir (com Stairway também), e Blackbird mesmo sendo uma música boa, ela permanece no “chão”, ela tem um solo espetacular, é empolgante, tem um feeling bem legal, tem a tal homenagem ao amigo e a historia, Myles cantando mto, mas não é aquilo único, que você ouve pela primeira vez e não consegue fechar a boca e começa a babar. Bastante bandas fazem músicas neste estilo (diferente do álbum inteiro, comprida, jogando a última carta da manga nessa tal canção), é a “obra-prima” da banda, e é algo de outro patamar DENTRO DA BANDA, mas nunca perto de Kashmir, que é algo que você viaja em ambos, espaço e tempo😛. E digo que não penso isso pq se trata de uma banda mais acessível e etc… Minhas bandas favoritas também não fazem algo perto de Kashmir.

    Curti a resenha, ficou muito boa msm, detalhando bem, parabéns, Erik Negrão!

  4. Parabéns pela resenha, ficou bem maneira. Eu sou fã de Alter Bridge e Blackbird é meu álbum preferido deles. Achei que você exagerou mais do que eu exageraria, mas ok. Gostei do ‘resumo’ que fez sobre o que se tratam as músicas em linhas únicas, bem legal.

    Faltou falar do nomeamento do solo de Blackbird como melhor de todos os tempos pela revista Guitarist (exagerado obviamente).

    Concordo com o Senna, foi muito destaque pras guitarras e o baixo e bateria ficaram meio apagados, mas ainda sim Brian Marshall e Scott Phillips são ótimos músicos.

    Aconselho que escutem o álbum para terem uma noção melhor de como é a banda, sendo que o álbum é bem diferente que One Day Remains, que ficou mais pro lado “Creed”.

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