Avantasia – The Wicked Symphony (2010)

Origem: Alemanha
Gêneros: Metal Sinfônico, Heavy Metal, Power Metal
Gravadora: Nuclear Blast

Depois dos aclamados e amados The Metal Opera Part I e Part II e dos EP’s Lost In Space I e II (sendo que os EP’s não foram bem recebido pelos fãs, dizendo que está muito “vendido”), Tobias Sammet, vocalista e a mente da banda Edguy, resolve lançar mais uma saga em seu projeto paralelo, o Avantasia. E tudo começou em 2008, um ano depois do lançamento de seus EP’s duplos, com o álbum The Scarecrow, que é inspirada em uma lenda alemã, chamada Fausto, que conta a historia de um doutor (o próprio Fausto), que desiludido, faz um pacto com o demônio chamado Mefistófeles. Sendo assim, o espantalho Fausto (Tobias Sammet) e uma “espécie cínica” de Mefistófeles (Jorn Lande). A historia fica cada vez mais interessante ao passar do disco, e recomendo para quem quiser acompanhar um bom conceito como tema a fantasia. The Scarecrow foi apenas a primeira parte da saga do espantalho, que em 2010, seguiu com dois álbuns, The Wicked Symphony, e mais tarde Angel Of Babylon.

Agora vamos falar mais sobre o primeiro lançamento de 2010. Eu pessoalmente gostei mais do Wicked Symphony do que do Angel of Babylon, dois grandes discos, que Tobias Sammet conseguiu mesclar gêneros diferentes e fazer uma ótima continuação do The Scarecrow (muito melhores do que a primeira parte da saga). A mescla entre power metal, hard rock, heavy metal nunca funcionaram tão bem quanto nessas obras de arte do alemão de Fulda, tornando um ar de fantasia que faz mexer com sua cabeça. As letras de The Wicked Symphony estão muito boas, e até recomendo acompanharem elas sem saber muito do conceito da saga, pois mesmo sem a historia completa, são letras simples de entender (os conselhos e mensagens, se você começar a ligar uma coisa ou outra no disco já fica complicado) e muito bem feitas mesmo, se duvide, apenas cheque a letra de Runaway Train. A raiz, o power metal, continua. Mas não tão influente como era nos Metal Opera, e caia entre nós, Tobi só não quis arrancar de vez o power do Avantasia por ser a influencia de toda a fantasia que ocorre o grupo e ser uma marca registrada. Na sua banda, o Edguy, já foi mais radical. Mas isso não quer dizer que é algo ruim, um músico se manter “preso” em um gênero é algo horrível, só ele mudando já merece respeito, e no caso do Tobias Sammet, merece respeito também por fazer trabalhos geniais. Sem dizer que TUDO que você ouvir no Avantasia, uma simples linha de baixo até um épico solo de guitarra, absolutamente TUDO foi feito por Sammet.

Sem enrolar mais, vamos as músicas do alemão, acompanhado por músicos convidados que são Sascha Paeth (guitarra e produção), Eric Singer (bateria) e Miro (teclados, orquestração), e caia entre nós, que banda! E em cada faixa, existe mais convidados, nos quais eu falarei o nome dos músicos nas faixas que aparecerem. E o primeiro convidado é Felix Bohnke, baterista e companheiro de banda de Sammet no Edguy. Mas nos vocais também tem gente, Jorn Lande (Masterplan) e Russell Allen (Symphony X) dividem os microfones com Tobias na faixa-título, no qual o dono do projeto diz ser uma batalha de voz entre Jorn e Russell. E não podia ser melhor para abrir o álbum, lembra que eu disse que o CD é uma mescla de muitos gêneros? A primeira faixa mostra isso, uma épica canção de mais de 9 minutos de duração, com uma intro que te joga no mundo “fantasiático” de Avantasia, até o peso da guitarra te acordar, e logo Tobias começa a cantar, você já está na mágica. Os três vocalistas vão se revezando até um refrão que não deixa de ser épico, mesmo sendo bastante hard rock. Peço que prestem muita atenção nessa faixa, ela é verdadeiramente de outro mundo, os vocais vão se revezando, continuando na mesma (e sem enjoar) até o solo de Sascha em 5:41, um grande e lindo solo desse grande produtor e músico. Mais ou menos em 6:47 o solo acaba e a música abaixa, dando apenas para ouvir a base junta de bateria com guitarra e baixo, com Tobias Sammet sussurrando algo, até ir aumentando sua voz mais e mais, junto com os instrumentos que o segue, tornando algo sensacional, até Sammet voltar de vez para os vocais com uma cara já de final, mas ainda dá tempo de mais um bis do refrão, e assim acaba um começo perfeito para um álbum que tem como tema a fantasia.

Wastelands segue com os convidados Oliver Hartmann (guitarra) e a lenda alemã Michael Kiske (vocal). Os fãs de Helloween ficarão felizes ao ouvir essa, parece que Sammet quis fazer uma música exclusivamente para Michael Kiske cantar e brilhar, porque é o que acontece, uma música com uma cara de Helloween, mas bem grudenta, a intro já mostra isso, o refrão nem se fala. Umas das mais power metal do álbum, e com uma ótima parceria entre os alemães, e quando falo ótima parceria entre os alemães, não digo apenas de Michael Kiske e Tobias Sammet, mas sim também de Sascha Paeth e Oliver Hartmann, que fazem um solo muito legal e puxado pro lado power metal juntos, não chega a ser uma das melhores do álbum, mas Wastelands tem seus encantos, e só por ter Michael Kiske, já vale muita coisa. A terceira faixa se chama Scales Of Justice, com Alex Holzwarth na bateria e o grande e magnifico Tim “Ripper” Owens nos vocais! Uma das faixas mais pesadas do disco, e chamar Tim para ela foi muito, mas muito bem escolhido mesmo. A faixa que também conta com uma linha interessante de bateria de Eric Singer é uma das mais agitadas e uma das mais legais do álbum, refrão espetacular, e como esse Tim Ripper canta não é brincadeira. Dying For An Angel é a próxima, e conta com a participação de outra lenda alemã, o vocal do Scorpions, Klaus Meine. E outra vez acho que Tobi fez uma música exclusivamente para seu convidado cantar, até quando ele (Tobias) está cantando , lembra bastante o Klaus. Uma das mais hard rock do álbum e também uma das que mais fica na sua cabeça, culpa desse refrão bem Scorpions que é ótimo. Canção muito boa, outra parceria que se deu bem, e muito interessante também: Klaus Meine foi o frontman de uma das bandas (se não A banda) mais famosa da Alemanha de todos os tempos, e Tobias Sammet, um dos nomes atuais mais interessantes da música alemã. O solo da faixa também merece destaque, com uma passagem curta e fantastíca para mais uma vez o refrão, assim terminando a participação desta lenda.

Felix Bohnke volta para a bateria na quinta faixa junto com outro convidado, o nosso representante tupiniquim, o ex-Angra e ex-Shaman, André Matos! A música é a Blizzard On A Broken Mirror, a minha favorita do disco. Adoro simplesmente tudo nela, o feeling épico que ela possuí é monstruoso, o pré-refrão é sensacional, a letra é sensacional, o refrão e a participação de André Matos são sensacionais! Uma outra passagem que é simples, mas bem legal, com Tobi aumentando sua voz de novo, até chegar o refrão, e você ter certeza que ele grudará na sua cabeça. Agora só para melhorar vem uma das baladas mais bem feitas que eu já ouvi, Runaway Train, uma das minhas favoritas do álbum também. Bruce Kulick, guitarrista do Kiss por 12 anos divide as guitarras com Sascha Paeth. Jorn Lande volta nos vocais, assim como Michael Kiske, e Bob Catley (Magnum) também participa da épica balada. Gosto muito do começo dela, e o legal é perceber o quanto Tobias Sammet canta, mesmo em lados de grandes lendas como Michael Kiske e Bob Catley, sendo um dos destaques da faixa. O revezamento de vocal vai acontecendo entre Tobi e Jorn. Tudo muito bom até aqui, mas a melhor parte ainda está por vir, Sir Bob Catley começa a cantar, e emociona, abra no lado alguma página com a letra da canção e acompanhe Catley, e preste atenção, porque com o instrumental ao fundo fica ainda mais perfeito. Depois disso em seguida já vamos para uma espécie de segundo refrão, bem agitado e divertido, tornando essa faixa mais magnífica ainda. Michael Kiske começa a cantar no mesmo tom do começo da música, até vir um Tobias Sammet com sua voz poderosa e puxar mais uma vez o refrão da canção, destaque para a linha de bateria de Eric Singer, principalmente no final da faixa.

Crestfallen é a sétima faixa, Alex Holzwarth volta a bateria e mais uma vez Jorn Lande participa (algo normal, pois como falei mais no começo, ele é um dos protagonistas). Uma das mais pesadas do disco, disputando de cabeça a cabeça com Scales Of Justice. Adoro a intro de teclado dela, até começar o peso natural de uma canção de heavy metal, até se tornar algo que dá para “headbanguear” sem problemas. O vocal de Tobias aqui me agrada, e muito. Só pensar que ele que criou absolutamente tudo que aqui se encontra, não consigo encontrar outra palavra no meu limitado vocabulário a não ser genial. O refrão é sensacional, com Sammet fazendo um tom de voz que impressiona, algo agressivo e mais puxado para o lado “gritante” de sua voz que eu nunca ouvi antes. Forever Is A Long Time, a oitava faixa, que permanece com Alex Holzwarth na bateria e volta com Oliver Hartmann na guitarra fazendo companhia a Sascha novamente, e como as guitarras desses dois se dão bem é impressionante! Jorn também volta. É uma música bem agitada e muito legal, com grande destaque para Jorn Lande, com sua linda voz. Solos duplos novamente, Sascha Paeth tem que chamar Oliver Hartmann urgentemente e montar uma banda!

Black Wings é a nona canção, com participação de uma linda voz chamada Ralf Zdiarstek, e não sei nada sobre esse cara, a não ser que sua voz é muito bela e que participa desta canção do Avantasia. Black Wings tem uma intro pesada, e tirando, claro, a voz de Ralf, destaque para  o grande refrão que Tobias manda super bem, e outra passagem com o dono do projeto cantarolando mais baixo, até chegar um bom solo de Sascha. States Of Matter conta a volta de Alex Holzwarth e de Russell Allen. Intro bastante agitada e que merece destaque, assim como a voz poderosa de Russel Allen, faixa com um refrão mais grudento e que não deixa de ser boa, mas não chega a ser um dos destaques do disco. Fechamos com The Edge, Felix Bohnke e Bruce Kulick voltam e também temos a participação no orgão de Simon Oberender. Talvez você ache ruim acabar o álbum com uma balada, mas o álbum trouxe pancadas atrás de pancadas, e sem esquecer que segue uma historia, acompanhando ela dá para entender melhor tal ordem das músicas. Mas isso não tira o crédito. Sascha Paeth é um dos destaques, não só com seu muito bom e curto solo mas também como produtor, que deixou TODO o álbum mais mágico ainda. Sobre a canção, tem partes bem belas e até tristes, se você estiver mais para baixo, tem chances de ouvir bastante a última faixa do The Wicked Symphony, mesmo ela não sendo grudenta ou tão leve.

The Wicked Symphony é a essência de uma mistura de boa música com fantasia, não sendo repetitivo como muitos grupos de power metal e assim mantendo a grande magia que só ouvindo você entederá o que eu quero dizer. Um tema não revolucionário, mas o jeito de tratar ele, foi um jeito novo e extraordinário.

Um pensamento sobre “Avantasia – The Wicked Symphony (2010)

  1. Boa resenha! Muito bem detalhada!

    Sobre o disco, ele é bonzão mesmo. Acho que o melhor deles. A faixa título, Runaway Train, Blizzard On A Broken Mirror e Black Wings são fodas!😀

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