X Japan – Art Of Life (1993)

Origem: Japão
Gêneros: Speed Metal, Metal Sinfônico, Metal Progressivo
Gravadora: Atlantic

Na primeira resenha no ano de 2012, o Images & Words terá o prazer de ter a resenha deste disco, que talvez (só talvez), seja o ouro mais precioso no meio da música oriental. X Japan é a banda de maior sucesso no Japão, sendo equivalente ao “nosso” Led Zeppelin, se assim posso dizer. O grupo que as vezes é chamado de “cópia do Glam Metal e do Power Metal” por aqueles que não gostam ou odeiam a música japonesa, bem, eu digo que X Japan somente com este disco supera a maioria dessas bandas. O motivo pode parecer estranho, mas, neste disco, só tem uma faixa. Sim, apenas uma faixa, que tem o mesmo nome do álbum. Duração? 29 minutos!

Art Of Life é o quarto álbum lançado pelo X Japan, que antes deste álbum era apenas conhecido como “X”, mas como eles estiveram em turnê americana, tinha uma banda de Punk Rock que também era chamada de “X”, e para evitar problemas, o baterista, pianista e co-fundador do grupo, Yoshiki, decidiu mudar o nome da banda para “X Japan”. Falando em Yoshiki, este homem escreveu e compôs a música, que aliás é totalmente em Inglês, ou seja, nada de frases ou palavras em Japonês. O disco foi orquestrado pela Royal Philharmonic Orchestra, uma orquestra britânica. Essa música não é fácil de se escutar, e requer algumas audições extras para seu entendimento completo.

“Mas qual é tema deste álbum? Qual é o tema da música?” Como diz o nome do álbum, ele fala sobre a vida e a sua arte. A música fala sobre a vida de uma maneira incrível que não tem como explicar, já que o baterista Yoshiki compôs a música desde seus 17 anos (na época do Art Of Life, Yoshiki tinha seus 28 anos, ou seja, 11 anos compondo uma canção). Para compor uma música desse tipo, é preciso tempo e maturidade, e principalmente, força de vontade e pretensão, pois sem isso, dificilmente você não fará algo que marque época, como aconteceu com X Japan no Japão e seu Visual Kei. E agora vamos para o que interessa, a canção de 29 minutos!

A música começa lenta, devagar, suave, como se fosse uma balada. O vocais do outro co-fundador da banda, Toshi, podem ser considerados irritantes para aqueles que não estão acostumados com seu timbre e seu sotaque nipônico, já que é notável que o homem não tem fluência no Inglês (naquela época). Depois de um tempo, a música começa a crescer e progredir e vem com ela a velocidade característica do grupo, junto com uma belíssima orquestração. Os riffs de guitarra, tocados pela dupla composta pelo falecido Hide e por Pata (belo nome de dupla sertaneja, aliás), acasalam muito bem com a orquestração, como se soassem únicos, mas você ainda pode distinguir qual é qual, o que é ótimo. O baixo de Heath é bem interessante em alguns momentos, soam meio embolados, mas são bons e são inesperados. O trabalho na bateria por Yoshiki é que merece mais destaque dentre os cincos membros do grupo. Sua linha de bateria está ótima e é notável que ele está colocando seu máximo na música. Com decorrer da música é notável uma voz feminina, dizendo frases não audíveis, mas que deixam as coisas mais interessantes (se alguém souber de quem é esta voz feminina, grato eu ficaria). A música ganha intensidade assim que avança, e algo destacável é a emoção que ela passa. É incrível a sensação que dá para sentir com a música.

Agora vamos ao meu momento favorito da música. Entre 15:07 e 24:18, temos um dueto de piano, tocado por Yoshiki. O dueto dura 8 minutos e é simplesmente fenomenal, para não dizer genial. Começa como um solo de piano, que toca o tema principal do dueto, e mais a seguir, temos a entrada de outro piano, formando o dueto. Enquanto um piano toca o tema principal do dueto com intensidade e variando a velocidade, o segundo piano faz um estrago. O segundo piano as vezes parece que está sendo tocado com punhos raivosos e marteladas poderosas ao invés dos singelos e conhecidos dedos, que nós seres humanos possuímos. Se o primeiro piano já tem intensidade, o segundo piano faz algo que poderia estar em um disco de Noise Rock ou Rock Psicodélico, tamanha barulheira que faz, chegando assustar os desavisados. Agora, a pergunta que fica é: “Qual é motivo deste dueto?” Acredito que seja para demonstrar a vida, como ela pode ser raivosa e barulhenta (e até infernal), hora calma e triste, e quem sabe, bela e feliz. E que a maioria dessas coisas acontece graças a uma outra pessoa (ou por algo), como é demonstrado neste dueto sensacional. E o melhor de tudo é que este longo dueto não é enjoativo.

Após o fim do dueto, que vem de uma linda passagem calma e orquestrada, o som progride em um Heavy Metal veloz e já conhecido. Sim, o tema principal da música volta com seus riffs, que apesar de soarem genéricos, encaixam na canção e fazem com que ela realmente soe uma música inteira, não uma colagem de músicas. A bateria de Yoshiki está ainda mais intensa, e a música soa mais épica e mais linda. O vocal de Toshi, que antes soava estranho, tem a interpretação certa para canção, trazendo toda a emoção que ela precisava ter nas linhas vocais. As guitarras, junto com o piano, fazem um belíssimo encerramento com o Toshi dando o máximo de si para que fique o mais próximo do perfeito. E a música termina estranhamente e brutamente com Toshi encerrando a canção com a frase “In my life”, sendo que na palavra “life”, a banda “morre”, ou seja, desaparece. A música ficaria melhor se houvesse um final mais épico, com 1 minuto de duração a mais, para dar o fim perfeito (e para aumentar o tempo para 30 minutos), mas isso não estraga a canção do grupo comandado pelo cérebro Yoshiki e pelo vocalista Toshi.

X Japan com seu quarto álbum, Art Of Life, faz sua obra prima, e quem sabe, a obra prima na música japonesa. Algo que levará tempo para que um grupo oriental faça algo equivalente ou superior a esta canção cheia de mistério e detalhes que fazem dela uma das canções mais magníficas para mim, mesmo soando genérica com alguns riffs de guitarra, o que realmente vale é o conceito e o contexto completo, e nesse conceito e contexto completo, a música do X Japan se sobressai como uma das melhores músicas de todos os tempos, não só do Japão ou do lado oriental do mundo, mas sim de toda a história da música popular (na minha opinião, claro). Talvez seja tudo isso que eu digo, talvez não seja tudo isso que eu digo, mas o que importa mesmo é que essa música marcou a música oriental e merece destaque e todos os membros do X Japan estão de parabéns por está canção.

1 – Art Of Life

7 pensamentos sobre “X Japan – Art Of Life (1993)

  1. Cara, nunca ouvi essa banda, mas essa música realmente me chamou MUITA atenção, porque na boa… 11 anos compondo uma música, o cara tem que ser foda… Depois que eu ouvir a música posto um novo comentário dizendo minha opinião.

    • Ouça! Você não vai se arrepender, desde que ouça repetidas vezes pra poder entender a magia da canção!

      • Bom, eu ouvi, e não me arrependi :3 Tava falando até contigo no MSN, aquelas porradas de piano são extremamente fantásticas. A música eu curti bastante também e as partes que a mulher falava é bem foda.

      • As partes que “Atena falava” são fodas!

        E ainda bem que tu escutou e curtiu! Imagina ficar meia-hora ouvindo uma música e não curtir?

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